O reconhecimento como anistiada vem acompanhado de uma indenização de R$ 100 mil, que será destinada a reparar os danos que Rousseff enfrentou ao longo de sua vida. A defesa da ex-presidente destacou que Dilma foi obrigada a deixar seu curso de Economia na Universidade Federal de Minas Gerais em 1969 devido à repressão e, mais tarde, foi demitida da Fundação de Economia e Estatística em 1977. Segundo o relator do processo, Rodrigo Lentz, essa anistia não deve ser entendida como uma clemência, mas sim como um reconhecimento do sofrimento que o Estado impôs a indivíduos durante períodos de repressão.
O pedido de anistia, inicialmente protocolado em 2002, enfrentou diversas interrupções, especialmente enquanto Dilma ocupava cargos públicos. Em 2016, após seu afastamento, ela solicitou a retomada do processo. Durante a presidência de Jair Bolsonaro, seu pedido foi negado em 2022, mas a análise foi reaberta em 2025, culminando na aprovação do reconhecimento de sua condição de anistiada.
Além da recente indenização, em 2023, a Justiça Federal já havia concedido a Dilma o status de anistiada política, determinando um pagamento por danos morais que totalizava R$ 400 mil, embora o benefício tenha sido negado. Um novo pedido à Comissão de Anistia busca corrigir essa decisão anterior, pleiteando uma reparação mensal que equivaleria ao salário que Dilma teria direito na Fundação de Economia e Estatística, estimado em R$ 10.735.
É importante ressaltar que Dilma Rousseff não só obteve a indenização federal, mas também já havia recebido compensações em estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, totalizando R$ 72 mil. Sua experiência de prisão e tortura durante a ditadura é um reflexo das profundas cicatrizes deixadas por esse período obscuro na história brasileira. O reconhecimento atual do Estado é considerado um passo significativo na busca por reparação e justiça.