O especialista Fernando Eduardo Cardoso, que coordena o curso de Gestão Pública em uma universidade, destaca que a exclusão digital impacta diretamente a cidadania nos tempos modernos. Quando uma parte da população permanece desconectada ou tem acesso restrito à tecnologia, ergue-se um obstáculo adicional ao exercício de direitos fundamentais e à participação em políticas públicas. Nesse contexto, a inclusão digital é apresentada como um pilar essencial para garantir a efetiva participação cidadã.
Os efeitos da exclusão digital não se limitam à interação com o Estado. No ambiente de trabalho, essa desigualdade tecnológica restringe o acesso a oportunidades e diminui as chances de ascensão profissional. Em uma era marcada por inovações e crescente automação, estar fora da rede significa estar em desvantagem em relação à concorrência.
Indivíduos jovens e trabalhadores com acesso limitado à internet encontram uma série de dificuldades para desenvolver habilidades digitais, participar de cursos online e acessar vagas no mercado. Este cenário reduz drasticamente suas possibilidades de mobilidade social e, simultaneamente, compromete seu acesso à informação e aos serviços públicos que estão, cada vez mais, disponíveis apenas em plataformas digitais.
Para enfrentar esses desafios, Cardoso ressalta a importância de políticas públicas que ampliem a infraestrutura digital, especialmente em regiões com escasso investimento privado. Ele sugere que programas de expansão da conectividade, incentivos regulatórios e parcerias público-privadas são fundamentais para levar a internet a áreas desassistidas. Contudo, a simples disponibilização de infraestrutura não é suficiente. Investimentos em inclusão digital e na capacitação em competências tecnológicas são igualmente essenciais.
A desigualdade de renda, embora continue a ser um fator crítico de desigualdade social, agora é acompanhada pela desigualdade digital, que emerge como um novo eixo estruturante das disparidades sociais contemporâneas. Muitas vezes, aqueles com menor renda enfrentam obstáculos ainda mais severos para acessar a tecnologia e a educação necessária para navegar no mundo digital. Portanto, a inclusão digital deve ser integrada de modo abrangente às políticas de redução das desigualdades sociais, reconhecendo seu papel vital na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.





