Polícia Civil prende homem suspeito de instigação ao suicídio de filha de marchand Jean Boghici após reabertura de investigações sobre o caso

Na tarde da última segunda-feira, a Polícia Civil do Rio de Janeiro efetuou a prisão preventiva de Rafael Maia Cardoso, acusado de ser instigador ou auxiliar no suicídio de Sabine Coll Boghici, filha do renomado marchand Jean Boghici. A ação foi conduzida por agentes da 9ª DP (Catete) no Jardim Botânico e seguiu um mandado emitido pela 1ª Vara Criminal da Comarca da Capital, sendo um novo capítulo nas investigações retomadas acerca da morte da jovem, ocorrida em setembro de 2023.

A reabertura do caso ocorreu após Geneviève Boghici, mãe de Sabine, questionar a conclusão inicial que apontava para suicídio. Ela levantou suspeitas de que a filha pode ter sido induzida a cometer o ato, devido ao histórico de maus-tratos e violência que teria sofrido. As investigações, que inicialmente consideravam a hipótese do suicídio, reuniram uma série de depoimentos, gravações audiovisuais e laudos periciais que indicariam um padrão de abusos por parte de Rafael e outros envolvidos.

Sabine, que se destacou na mídia por ter sido presa em 2022 em um esquema de fraude ao lado da falsa vidente Rosa Stanesco Nicolau, viveu uma trajetória marcada por dificuldades. Após ser liberada sob habeas corpus, mantinha uma vida conturbada, dividindo um apartamento com figuras da mesma trama que envolveu sua prisão. A situação alarmante no local era conhecida entre vizinhos, que relataram ouvir gritos e pedidos de socorro vindos do apartamento. Algumas testemunhas chegaram a flagrar Sabine em condições degradantes, sofrendo agressões e mostrando evidências de desorientação.

Nos dias que antecederam sua trágica queda do quarto andar do prédio — que ocorreu um pouco depois que Rafael e outros membros do apartamento deixaram o local —, amigos a ouviram expressar sua desesperada insatisfação com a situação. De acordo com relatos, a jovem teria declarado que “não aguentava mais apanhar”, enquanto sua companheira de apartamento a teria ameaçado de punições severas.

Uma série de questões perturbadoras emerge com o desenrolar do caso. O laudo pericial revelou um ambiente caótico e insalubre no apartamento onde Sabine morava, incluindo fezes espalhadas pelo chão. A investigação também levanta a possibilidade de envenenamento, levando Geneviève a requerer a exumação do corpo da filha para averiguação.

O caso continua sob apuração, acirrando as discussões sobre o papel da justiça e da proteção à vida, enquanto a família busca respostas e justiça em meio ao luto e à dor.

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