Essa ruptura representa o fim de uma aliança que já estava consolidada ao longo de décadas, abrangendo diversas gestões e coligações políticas. A relação de camaradagem entre Born e Lessa foi construída desde a juventude, inicialmente através do esporte e posteriormente solidificada em sua trajetória política durante a redemocratização do Brasil.
Kátia Born expressou sua insatisfação com a decisão de Lessa, caracterizando-a como unilateral e desconsiderando o que ela descrito como apelos internos dentro do partido. Em um desabafo, afirmou: “Fiz de tudo para ele não tomar essa decisão. Ele não quis ouvir ninguém. Lamento demais que ele tenha feito isso e saído do projeto para apoiar JHC. Eu não voto em JHC.” Essa declaração revela a profundidade do descontentamento de Born e sua visão de que a política deve transcender meras disputas por cargos.
A ex-prefeita não apenas apontou divergências eleitorais como a razão de sua saída, mas também mencionou uma quebra de princípios que vão além das questões partidárias. “Acredito que a vida, ou a política, não é apenas cargos. É amizade, lealdade, companheirismo. Estou saindo da presidência municipal e do partido porque a ida dele inviabilizou tudo,” afirmou Born, que disse ter levado um susto com a decisão enquanto cumpria compromissos fora de Maceió.
O contexto político em Alagoas agora testemunha uma alteração significativa na dinâmica da oposição. O futuro político de Kátia Born permanece incerto, e até o momento, o vice-governador Lessa não comentou oficialmente sobre a saída de sua principal aliada histórica. A desfiliação não apenas provoca consequências no PDT, mas também ajusta o equilíbrio de forças no pleito que se aproxima, fazendo com que o cenário político local passe a ser observado com atenção redobrada por analistas e cidadãos.
