Durante sua fala, Lula destacou que o encontro ocorre em um “momento delicado da geopolítica internacional”, ressaltando a necessidade de o Brasil estreitar laços com os países africanos. Ele fez uma análise crítica do histórico de relação entre o Brasil e a África, afirmando que o país tem uma “dívida” de 350 anos de escravidão para com o continente. “Fomos escravizados não só pelas potências europeias, mas também culturalmente,” disse ele, chamando a atenção para a importância de reconhecer essa interconexão histórica.
O presidente propôs uma revisão nas políticas externas do Brasil voltadas à África, defendendo que a cooperação deve ir além do simples intercâmbio econômico e incluir a troca de saberes e experiências culturais. “Temos interesse que a África venha para cá, para ensinar coisas da África,” afirmou Lula, frisando a necessidade de valorização das culturas africanas.
Além disso, o presidente tratou dos desafios sociais enfrentados globalmente, como a fome e a pobreza, que segundo ele, resultam de decisões políticas que perpetuam a exclusão. Lula reconheceu o potencial agrícola da África, afirmando que o continente pode se tornar um grande produtor de alimentos e ressaltou a relevância das instituições acadêmicas nesse desenvolvimento.
O chefe do Executivo também delineou cinco eixos para a cooperação entre Brasil e África: combate à fome, enfrentamento das mudanças climáticas, transição energética, democratização da inteligência artificial (IA) e integração de cadeias produtivas. Ele destacou que a ideia de que crescimento econômico e preservação ambiental são mutuamente exclusivos é um equívoco, alertando contra a dependência de exportações de matérias-primas sem agregar valor.
Outro ponto importante abordado por Lula foi a crítica ao “colonialismo digital”, que representa a concentração de poder nas mãos de algumas elites globais em detrimento dos países em desenvolvimento. O presidente enfatizou a necessidade de desenvolver a IA de acordo com as realidades locais e nos idiomas nativos.
O evento, que se estende até quarta-feira (27) no Centro Internacional de Convenções do Brasil, tem como objetivo promover a cooperação acadêmica como um eixo central nas relações entre os dois continentes. O fórum inclui propostas para acordos institucionais e programas de mobilidade estudantil em diversas áreas estratégicas, incluindo agricultura, energias renováveis, e ciências humanas. Com esta iniciativa, Lula busca não apenas fortalecer os laços entre Brasil e África, mas também reafirmar a relevância do Sul Global na geopolítica contemporânea.
