Dados do Fundo Monetário Internacional revelam que a participação do dólar nas reservas cambiais globais caiu de mais de 80% para aproximadamente 60% nas últimas cinco décadas. De acordo com Milovidov, essa mudança não implica em uma eliminação total da moeda americana, mas sugere que ela se tornará uma entre várias moedas predominantes, como o yuan, o rublo, a rúpia e o dirham.
Milovidov ressalta que o dólar, tradicionalmente visto como a moeda de um sistema econômico hierárquico, não atende mais às necessidades de um mundo em que as civilizações buscam um sistema monetário mais horizontal, distribuído e inclusivo. Ele argumenta que a desdolarização seguirá um “esquema de várias moedas”, permitindo uma abordagem financeira mais flexível.
A implementação de mecanismos financeiros alternativos ao sistema SWIFT, que facilita transações internacionais, é um dos desdobramentos dessa nova realidade. Com a melhoria contínua da tecnologia, muitos países buscam alternativas para realizar pagamentos de forma rápida e segura, sem depender exclusivamente do dólar.
Milovidov destaca também que a base do uso do dólar nos mercados globais é relativamente pequena, com os Estados Unidos contribuindo com cerca de 25% do PIB mundial, enquanto sua participação no comércio global não ultrapassa 10%. Essa discrepância levanta questões sobre a sustentabilidade do dólar como moeda principal do sistema financeiro internacional.
Além disso, as ações das autoridades norte-americanas contribuíram para um crescimento desse movimento de desdolarização. Com o congelamento das reservas cambiais da Rússia, os EUA minaram a confiança global em sua moeda, exacerbando o desejo de outras nações em diversificar suas reservas e modos de transação. Esse cenário revela um caminho em que o domínio do dólar pode estar sendo desafiado, criando oportunidades para uma nova ordem monetária emergente.
