O Estado Tiwanaku, que supostamente tinha uma população entre 10.000 e 20.000 pessoas, se destacou por práticas rituais sofisticadas. Em 2019, uma descoberta significativa no recife de Khoa, próximo à Ilha do Sol, revelou oferendas submersas que contradizem a visão tradicional sobre a cronologia da espiritualidade andina. Os pesquisadores encontraram artefatos, como queimadores de incenso em forma de puma, ornamentos de ouro e restos de lhamas sacrificadas, sugerindo que a religião tiwanakota era bem estabelecida e já havia práticas rituais organizadas.
José Capriles, antropólogo da Penn State, destacou que os Tiwanaku foram os primeiros a depositar objetos valiosos para adorar divindades. A tecnologia moderna de sonar e fotogrametria 3D tem permitido um mapeamento mais preciso das áreas submersas, desvendando um passado que estava oculto. Os artefatos, datados entre os séculos VIII e X, parecem ter sido intencionalmente submersos em rituais que envolviam navios de cerimônias, conforme indicado pela presença de âncoras nas proximidades.
Além dos achados materiais, a pesquisa também indicou a presença de ossos de peixes, aves e anfíbios, que eram parte da dieta local, além das quatro lhamas jovens que foram sacrificadas. Essas descobertas refletem não apenas a devoção, mas a demonstração de poder por parte das elites que controlavam essas cerimônias elaboradas.
Em 2023, arqueólogos fizeram uma nova e relevante descoberta ao encontrarem as ruínas de um grande templo, chamado Palaspata, situado a mais de 200 quilômetros do centro de Tiwanaku. Essa estrutura é vista como um ponto crucial para a articulação de rotas comerciais, ressaltando a organização política e econômica mais complexa da sociedade Tiwanaku do que se supunha anteriormente.
Essas novas evidências revelam um panorama riquíssimo sobre uma sociedade que lançou as bases de uma complexa rede cultural e econômica nas montanhas andinas, cujas influências se estenderam muito além de suas fronteiras antes da dominância inca.
