A escavação foi realizada por uma equipe do Instituto de Arqueologia de Zagreb, que se dedicava a estudar a infraestrutura defensiva da região de Vukovar-Srijem. As moedas foram localizadas em um espaço restrito de um metro quadrado, exatamente onde existia uma torre de vigia romana. Nesse período, o Danúbio era uma zona militar fortemente vigiada. A defesa da fronteira romana não dependia apenas de grandes fortalezas, mas incluía pequenos postos de observação e rotas de patrulha que garantiam uma vigilância contínua.
A posição de Mohovo é estratégica, situando-se entre os acampamentos romanos de Ilok e Sotin, transformando-se em um ponto crucial de monitoramento na área. Torres de menor dimensão eram utilizadas para observar travessias e ravinas, facilitando a identificação de movimentos suspeitos e permitindo uma comunicação eficaz ao longo de toda a linha defensiva.
Durante a escavação, foram encontrados também vestígios de uma torre de madeira cercada por fossos em formato de V, uma característica típica das estruturas elevadas que possibilitavam uma cadeia visual de vigia ao longo do rio Danúbio. A concentração das moedas em uma das valas sugere que elas podem ter sido enterradas intencionalmente pelos soldados durante uma situação de emergência, possivelmente um ataque inimigo.
De acordo com Marko Dizdar, diretor do Instituto de Arqueologia, essas moedas podem simbolizar os desafios enfrentados pelos soldados, representando salários que foram interrompidos devido à pressão de um ataque. Isso confere uma dimensão humana ao achado, mostrando como o medo e a violência influenciaram a vida cotidiana nesta guarnição.
As análises iniciais das moedas indicam que muitas foram cunhadas durante o governo do imperador Valentiniano I, nativo de Cibalae, atualmente conhecido como Vinkovci. O período sob seu governo ficou marcado por esforços intensificados para fortalecer as fronteiras do Império, especialmente ao longo do Reno e do Danúbio, refletindo a transição de grandes exércitos romanos para uma dependência maior de pequenos postos de controle.
Além das moedas, outros artefatos do cotidiano romano foram encontrados, como fíbulas e anzóis de pesca, sugerindo que os soldados não apenas cumpriam suas funções de vigilância, mas também levavam uma vida diária ativa às margens do Danúbio.
Os pesquisadores acreditam que a área ainda pode esconder outros vestígios de sítios militares, e, após um processo de conservação e estudo, o tesouro deverá ser integrado a um museu. Essa coleção proporcionará um vislumbre valioso sobre os últimos dias de uma guarnição romana na fronteira do Danúbio, ajudando a ampliar o entendimento sobre a história militar da época.
