As galáxias DF2, DF4 e DF9 formam uma cadeia linear, descrita por pesquisadores como “diamantes em um colar”. Essa formação intrigante oferece uma oportunidade sem precedentes para os astrônomos investigarem as origens destas galáxias. De acordo com especialistas, entre eles Michael Keim, da Universidade de Yale, essas galáxias representam “exceções extraordinárias” em um cosmos onde a matéria escura domina a estrutura do universo.
A matéria escura é amplamente considerada essencial para justificar a gravidade observada nas galáxias. À medida que os cientistas somam toda a matéria bariônica — a que compõe estrelas, planetas, buracos negros e outros corpos celestes — ainda é evidente que falta massa para justificar as forças gravitacionais que mantêm as galáxias coesas. Logo, os modelos cosmológicos tradicionais dependem de halos de matéria escura.
A estranheza em torno dessas galáxias começou em 2018, quando a DF2 foi identificada com menos matéria escura do que o esperado. A DF4, no ano seguinte, confirmaria essa anomalia. Análises posteriores revelaram que elas são parte de uma cadeia compacta, todas com padrões de movimento semelhantes, sugerindo que passaram por um evento comum em sua formação. A DF9, com características semelhantes às suas “irmãs”, se tornou o foco para testar essas teorias.
Uma das hipóteses mais aceitas para explicar esse fenômeno envolve o conceito de “colisão de anãs-bala”. Nesse cenário, duas galáxias anãs se colidem frontalmente, fazendo com que estrelas e halos de matéria escura atravessem uma à outra. O gás resultante dessa colisão, que é desacelerado, poderia formar novas estrelas e, eventualmente, pequenas galáxias desprovidas de halos escuros.
A existência de uma sequência de galáxias sem matéria escura coloca em cheque várias teorias sobre a natureza dessa substância misteriosa. Com isso, a conclusão é de que a matéria escura deve ser entendida como uma entidade física real, e não apenas um artefato de teorias alternativas de gravidade, principalmente no contexto das galáxias anãs, onde o debate continua acirrado entre os cientistas.





