Deputado Zé Neto critica tarifas comerciais de Trump como agressão econômica e propõe medidas de defesa para fortalecer comércio brasileiro.

O deputado federal Zé Neto, do Partido dos Trabalhadores (PT-BA), expressou suas preocupações a respeito das recentes movimentações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou a imposição de tarifas sobre a importação de aço e alumínio. Segundo ele, essa decisão representa não apenas uma agressão econômica, mas também uma violação dos acordos estabelecidos no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) e, posteriormente, na Organização Mundial do Comércio (OMC). O deputado enfatiza a importância da OMC como uma estrutura que promove o equilíbrio econômico entre as nações e facilita a interconexão de suas economias.

Para contrabalançar essas medidas, Zé Neto protocolou o projeto de lei 786/2025 na Câmara dos Deputados. O objetivo desse projeto é criar um arcabouço legal que permita ao Brasil adotar mecanismos de pressão em resposta a violações que comprometam a competitividade das exportações nacionais. Essa proposta não é a única em andamento no Congresso. No Senado, tramita o projeto de lei 2088/2023, conhecido como PL da Reciprocidade Ambiental, que visa proteger produtos brasileiros de tarifas injustas. Originalmente focado em disputas ambientais com a União Europeia, o projeto foi reformulado para incluir questões relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Zé Neto salienta que a defesa dos interesses comerciais do Brasil deve ser uma preocupação que transcende as divisões partidárias. Ele observa que há um entendimento crescente entre diferentes espectros políticos de que a proteção do comércio e da indústria brasileiras é uma prioridade nacional. O deputado argumenta que a oposição, incluindo setores da direita e centro-direita, reconhece a urgência de uma resposta coordenada a essas questões.

A eficácia das tarifas de Trump é ainda incerta, de acordo com o diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ, Alexis Toríbio Dantas, que destaca que os efeitos práticos só serão totalmente compreendidos após um período de avaliação. Dantas afirma que embora as tarifas possam impactar a capacidade de exportação de aço e alumínio do Brasil, a competição também se estende a outros países, como Canadá e México, que podem ser afetados de maneira semelhante. A análise cuidadosa desses impactos é, portanto, crucial para que o Brasil não se veja em desvantagem em um cenário comercial cada vez mais competitivo.

Além disso, enfatiza que a presença crescente de economias emergentes, como os países do BRICS, na balança comercial brasileira, sugere que a dependência do Brasil em relação aos Estados Unidos está diminuindo. Com uma porcentagem significativa do comércio nacional concentrada em parcerias com a China e a União Europeia, a introdução de tarifas pela Administração Trump pode não ter o impacto devastador que alguns temem.

Em última análise, a construção de uma resposta sólida e coesa no âmbito do comércio internacional é vista como essencial para proteger a economia e os interesses nacionais do Brasil em face das manobras protecionistas dos EUA.

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