Depoimento emocionante revela agressões de Jairinho a menina que se sentia culpada por não ter contado a verdade antes da morte de Henry Borel

No quarto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros, ambos acusados pelo assassinato de Henry Borel, um testemunho marcante teve lugar. Kaylane Pereira, filha de uma ex-namorada do ex-vereador, depôs de forma emotiva, relembrando experiências traumáticas que viveu na infância. Durante seu relato ao II Tribunal do Júri, Kaylane expressou seu lamento, afirmando sentir-se culpada por não ter denunciado antes as agressões que sofreu, o que poderia ter evitado a tragédia que vitimou Henry.

A jovem relembrou episódios em que Jairinho a buscava em casa enquanto se encontrava com sua mãe, prometendo levá-la a restaurantes. No entanto, Kaylane revelou que esses encontros aconteciam em um local que, a seu ver, seria um motel. “Ele passava lá em casa e dizia que iria me levar para comer, mas, na verdade, íamos a um lugar diferente”, contou.

Kaylane, filha de Natasha, a ex-companheira de Jairinho, denunciou em 2021 que o ex-vereador havia cometido diversas agressões contra ela. As acusações incluem abusos físicos, como golpes com a cabeça contra superfícies duras, chutes e socos na barriga da criança, além de situações de afogamento em uma piscina. O relato da jovem destaca a gravidade das agressões e o ambiente tóxico que Jairinho impunha, oscilando entre momentos de aparente afeição e atos brutais.

Além disso, a testemunha compartilhou que Jairinho frequentemente a insultava, afirmando que sua ausência seria melhor para a dinâmica familiar. “Ele dizia que se eu não estivesse ali, a vida deles seria mais fácil e que eu atrapalhava o relacionamento deles”, afirmou Kaylane, evidenciando o controle emocional que o acusado exercia sobre ela.

Durante seu depoimento, Kaylane revelou que se sentia constantemente ameaçada e hesitou em contar sua mãe sobre as agressões, temendo que isso causasse muita tristeza a Natasha. “Ele dizia que, se eu contasse a ela, eu seria a razão da dor dela”, recordou.

Este dia de julgamento ainda foi marcado pela recuperação do advogado de defesa de Jairinho, Fabiano Tadeu Lopes, que havia sofrido um infarto dias antes. Kaylane enfatizou que os episódios de agressão foram mais de cinco vezes, embora não conseguisse especificar exatamente quantas, refletindo a confusão e o medo que a situação lhe impôs por tanto tempo. O testemunho não apenas expõe a gravidade das alegações, mas também provoca reflexões sobre a violência e o silêncio que muitas vítimas enfrentam.

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