
De acordo com nota da Secretaria de Segurança Pública (SSP), ele e outra criança, de 11 anos, teriam furtado um carro dentro da garagem de um condomínio na região do Morumbi. Policiais perceberam a ação e saíram em perseguição ao veículo, um Daihatsu Terios. Pela versão policial, o menino foi baleado em confronto após ter atirado três vezes contra os policiais com uma arma calibre 38. Os primeiros dois tiros foram dados com o veículo ainda em movimento, antes de o carro bater contra um ônibus e, depois contra um caminhão que estava estacionado, até perder o controle. Um terceiro tiro teria sido disparado pelo menor após as batidas. Vídeos de câmeras de segurança mostram o carro parado, desgovernado, e um policial se aproximando do veículo e atirando.
O outro garoto, de 11 anos, que também estava no veículo, prestou depoimento por duas vezes à polícia. Acompanhado apenas pela mãe, ele relatou à polícia que o outro menino atirou duas vezes contra os policiais e que, depois da batida do carro, disparou novamente, pouco antes de ser baleado e morrer.
Em entrevista coletiva na noite de hoje (3), a diretora do DHPP, Elisabete Sato, disse que pretende fazer a reprodução simulada dos fatos para esclarecer dúvidas sobre a versão policial. Entre elas, sobre o fato de o menino ter abaixado o vidro do carro para atirar e, depois, tê-lo fechado.
Como o vidro era escuro [com insulfilm], o policial, ao atirar, não teria visto que era um menino ao volante. Outra dúvida é saber se o ajuste do banco era compatível com o tamanho da criança. O menino usava uma luva em uma das mãos e a luva deverá ser colhida para avaliar se há resquícios de pólvora.
“O departamento instaurou inquérito policial para apurar todas as circunstâncias e todas as dúvidas que temos com relação a esse fato”, disse a delegada. A polícia vai investigar como a criança dirigiu o carro, abriu e fechou o vidro e atirou: “Tudo isso são questões que vocês têm, nós também temos e que iremos dirimir com perícias vamos pedir”.
Segundo a delegada, o revólver calibre 38 que foi encontrado no carro tinha três cápsulas deflagradas e três balas intactas. A polícia descobriu que a arma foi roubada durante um roubo de carga de cigarro em Jundiaí, em abril do ano passado.
A delegada disse ainda que o DHPP acionou o Conselho Tutelar para enviar um representante para acompanhar o depoimento do menino de 11 anos sobre o caso, o Conselho não quis participar, justificando que a criança já estava acompanhada pela mãe.
De acordo com a delegada, os próximos passos da investigação serão ouvir os motoristas do Samu que prestaram socorro à criança e, novamente, os policiais militares envolvidos no caso. O proprietário do veículo furtado pelas crianças também já prestou depoimento.
Os meninos tinham passagem pela polícia. Segundo a delegada, três registros foram encontrados em ocorrências praticadas pelos dois, juntos, todos eles deste ano: um no dia 31 de janeiro, outro no dia 22 de abril e outro no dia 28 de maio, todos por furtos. Um dos furtos foi em um hotel, onde levaram objetos de um apartamento.
“O menino que estava ao volante e que faleceu vinha de uma família totalmente desestruturada. O pai está preso na penitenciária de Junqueirópolis por tráfico, roubo e falsa identidade. A mãe também tem várias passagens pela polícia e já esteve presa na penitenciária feminina. Não dá para a gente deixar de refletir. Isso não significa dizer que a apuração não será feita da maneira adequada”, disse a delegada.
