Delação de Daniel Vorcaro é recusada pela Polícia Federal após falta de informações relevantes para investigações em andamento sobre suspeitas de fraudes financeiras.

Nesta quarta-feira, 20 de setembro, a Polícia Federal (PF) rejeitou a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A avaliação dos investigadores indicou que as informações fornecidas pelo empresário não eram inéditas ou relevantes para os desdobramentos das investigações em curso.

Informações relacionadas ao caso apontam que os relatos fornecidos pela defesa de Vorcaro estavam aquém das expectativas da PF, não trazendo elementos adicionais às provas que já haviam sido coletadas durante a apuração. A resistência do banqueiro em admitir fatos que já foram identificados em celulares apreendidos pela PF complicou ainda mais o processo de negociação. Com essa negativa, a defesa de Vorcaro pode buscar um acordo diretamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Caso essa alternativa avance, a homologação precisaria ser aprovada pelo ministro André Mendonça, que é o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar da falta de um acordo formal, as investigações permanecem ativas. Recentemente, a PF realizou buscas em endereços associados ao senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro. As apurações em andamento envolvem suspeitas envolvendo repasses financeiros e o pagamento de despesas pessoais do parlamentar por indivíduos próximos ao grupo de Vorcaro, incluindo a utilização de aeronaves particulares.

Além disso, novas revelações surgiram através de áudios entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente, que visitou o empresário enquanto este estava sob prisão domiciliar. Em suas conversas, Flávio solicitou recursos a Vorcaro para a produção da cinebiografia de seu pai, “Dark Horse”, com um investimento significativo de R$ 61 milhões por parte do banqueiro.

No início dessa semana, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília, decisão que foi autorizada pelo STF. O ministro André Mendonça estipulou que o banqueiro passasse a cumprir as normas ordinárias do local. Desde sua prisão em 19 de março, Vorcaro foi acusado de fraudes financeiras que acarretaram perdas superiores a R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Inicialmente, o empresário estava em uma sala especial, semelhante àquela em que o ex-presidente Jair Bolsonaro também esteve detido.

As visitas de seus advogados foram restringidas, passando a ser limitadas a duas por dia, com duração máxima de 30 minutos e sem a permissão de uso de instrumentos de trabalho, o que representa uma mudança substancial em comparação ao período anterior, onde as visitas eram permitidas das 9h às 17h, sem restrições.

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