Defesas alegam falta de provas em julgamento de acusados de trama golpista enquanto STF analisa participação de 12 réus no caso.

Na manhã desta terça-feira (20), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deu início à segunda fase do julgamento dos 12 indivíduos acusados de participação no núcleo 3 de uma suposta trama golpista. As defesas dos réus ressaltaram que a Procuradoria-Geral da República (PGR) não conseguiu apresentar evidências concretas que comprovem a ligação de seus clientes com atos golpistas.

A denúncia, feita pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, aponta que esses acusados desempenharam papéis táticos em um golpe que não se concretizou, envolvendo, entre outras ações, a monitorização de alvos e o planejamento de sequestros e execuções. A subprocuradora-geral, Cláudia Sampaio Marques, ao representar a PGR, expôs que a intenção var suas pesquisas era gerar uma crise social que mobilizasse a população em prol do golpe.

Dentre os planos incriminados, destacam-se os denominados Punhal Verde e Amarelo e Copa 2022, cujos nomes foram retirados de documentos apreendidos durante investigações conduzidas pela Polícia Federal. A acusação ressalta que esses planos incluíam atentados contra figuras proeminentes, como o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o vice, Geraldo Alckmin.

As defesas, por sua vez, formularam contestações significativas. O advogado Cesar Lopes de Oliveira, que defende o general Nilton Diniz Rodrigues, argumentou que seu cliente estava em missão na Espanha durante o governo de Jair Bolsonaro e frisou a inexistência de provas que conectem Rodrigues ao complô. Oliveira declarou que a única acusação contra seu cliente refere-se à sua presença em uma reunião onde supostamente foram discutidos planos golpistas.

Outros defensores levantaram questões sobre a idoneidade da denúncia, que teria ignorado trechos de uma delação premiada em que o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de Ordens de Bolsonaro, minimizou a importância da reunião, classificando-a como uma “confraternização”. Jeffrey Chiquini da Costa, representante do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, contestou a PGR por desconsiderar evidências que provam a inocência de seu cliente. Segundo ele, registros de celular demonstram que Bezerra não estava em frente à residência do ministro Alexandre de Moraes no dia mencionado na denúncia, mas sim em casa celebrando seu aniversário.

Por fim, o advogado Ramon Mas Gomez Júnior, que defende o policial federal Wladimir Matos Soares, afirmou que a PGR apenas fez referências superficiais ao seu cliente. Ele destacou que o conteúdo da mensagem enviada por Soares, que informava sobre a segurança de Lula, já havia sido amplamente divulgado pela imprensa no dia anterior e, portanto, não constituía informação sigilosa. O desenrolar dos argumentos da defesa contra as denúncias da PGR será acompanhado de perto, à medida que o julgamento avança.

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