O promotor Nathan Neto fez uma exposição contundente, destacando a participação ativa dos cinco réus nos crimes perpetrados entre 2022 e 2023. “A participação de todos foi fundamental”, afirmou, ressaltando que, após três anos, os réus buscam amenizar suas responsabilidades diante da gravidade do que foi cometido. Ele usou uma metáfora forte ao dizer que, na época, os envolvido estavam “cegos, surdos e mudos” ao seguirem adiante com seus planos, mesmo após presenciar a brutalidade dos atos, como a decapitação de uma das vítimas.
Esta afirmação foi uma resposta direta aos testemunhos da maioria dos réus, que negaram qualquer envolvimento. O promotor não hesitou em desqualificar as alegações deles, chamando suas declarações de “caôzinho” e “papinho”, insinuando que sua estratégia era buscar o alivio da pena sem assumir completamente suas culpas. “É razoável deduzir que vão buscar a melhor situação processual para si”, completou.
Neto destacou ainda o comportamento de Gideon, um dos réus, que teve a audácia de culpar um filho da vítima. “É de uma hediondez absurda”, disse, caracterizando-o como o mais cínico do grupo. O promotor também criticou a atitude de Horácio Barbosa, que, segundo ele, se submete totalmente às ordens de Gideon.
Durante o debate, o assistente de acusação, João Darc, referiu-se aos réus como a “reencarnação de Lúcifer”, provocando um tumulto que demandou a intervenção das defesas. Ele encerrou seu discurso pedindo que os jurados olhassem nos olhos dos acusados, refletindo sobre a gravidade dos crimes.
O julgamento continua nesta sexta-feira, 17 de abril, com a apresentação da defesa e o depoimento do delegado Ricardo Viana, que liderou a investigação do caso.
Contextualizando o crime principal, entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados executaram um plano para tomar uma chácara e extorquir a família da vítima principal, Marcos Antônio Lopes de Oliveira. Este planejamento culminou em uma série de assassinatos, onde indivíduos foram atraídos para emboscadas e subsequentemente mortos, em um crime que chocou a sociedade. Os corpos das vítimas foram ocultados de maneira brutal e as operações tentaram obstruir a investigação, complexificando ainda mais a gravidade da situação.
O caso não apenas expõe a crueldade dos crimes, mas também revela um intricado enredo de traição familiar e ganância, que se desdobrou em uma tragédia sem precedentes no Distrito Federal.
