Entretanto, enquanto pequenos grupos se reúnem para homenagear o ex-líder, Cuba enfrenta crises profundas, especialmente no setor energético. O termo “blecaute” ressoa nas ruas de Havana e em outras localidades, destacando uma realidade dura para a população. Recentemente, o país passou por apagões severos, revelando uma crise energética exacerbada por um sistema obsoleto de produção elétrica e pela pressão econômica imposta pelos Estados Unidos.
De acordo com a União Petrolífera de Cuba (Cupet), o país é capaz de atender apenas um terço de sua demanda por petróleo, e as dificuldades de importação são intensificadas pelo embargo econômico que os Estados Unidos impuseram desde 1962. Essa situação crítica não apenas compromete a qualidade de vida da população, mas também freia o desenvolvimento econômico, com previsões de queda de 6,5% no PIB para 2026.
Um grupo de especialistas em direitos humanos da ONU já se manifestou, alertando sobre as condições críticas enfrentadas pelos cubanos e comparando a situação a uma “Gaza silenciosa”. O presidente Miguel Díaz-Canel, por sua vez, tem denunciado o bloqueio como um “genocídio político”, destacando o sofrimento infligido à população cubana.
Em meio a este cenário desafiador, eventos foram organizados para discutir o legado de Fidel Castro e suas implicações para o futuro de Cuba. Sua trajetória, que começou em Birán, com um ataque emblemático ao Quartel Moncada em 1953, culminou em quase 50 anos de governo, durante os quais implementou políticas de nacionalização e reforma agrária. No entanto, essas conquistas sociais não vieram sem custos, tendo sido acompanhadas de repressão e violação dos direitos humanos, situações que ainda ecoam na sociedade cubana contemporânea.
A reflexão sobre o legado de Fidel Castro é complexa e polarizadora. A historiografia sobre sua figura destaca tanto os avanços sociais, como a melhoria em saúde e educação, quanto os problemas de repressão e a falta de liberdade democrática. Curiosamente, enquanto alguns veem nele um ícone da resistência contra o imperialismo, outros o consideram um fator de estagnação política. Nesse clima tenso e polarizado, o centenário de Fidel Castro convida a uma profunda análise sobre passado, presente e futuro de Cuba.
