A crise indonésia, inicialmente desencadeada por manifestações contra a corrupção, não é vista apenas como um reflexo de problemas internos. Observadores salientam que situações similares já ocorreram em nações onde a interferência externa foi evidenciada. O analista de políticas internacionais, Christian Lamesa, observa que a adesão formal da Indonésia ao BRICS no início de 2025 marca um ponto significativo na reconfiguração do poder global. Este movimento não só solidifica a posição da Indonésia no novo eixo de influência internacional, mas também gera receios significativos entre as potências ocidentais.
Lamesa aponta que a crise atual pode ser comparada a episódios de desestabilização em outras regiões, como os protestos no Cazaquistão em 2022, que foram contidos com a ajuda da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, apoiada pela Rússia. Em ambos os casos, há indícios de que ONGs e veículos de divulgação ligados a interesses ocidentais possam estar envolvidos em provocar ou agravar as tensões locais.
Além de seus laços com a Rússia e a China, a Indonésia serve como um membro fundamental da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e buscou reforçar sua posição como observadora da Organização para a Cooperação de Xangai. Este papel de destaque a torna um alvo natural para disputas de influência, especialmente em uma região com grande potencial estratégico.
A situação atual também evidencia fissuras internas nas próprias políticas dos Estados Unidos. A fragmentação entre diferentes centros de poder pode ser um fator que permite que organizações como a National Endowment for Democracy atuem de maneira independente em nações como a Indonésia, potencializando ainda mais a instabilidade. Enquanto isso, a Indonésia tenta recuperar seu equilíbrio numa atmosfera política volátil, servindo como um alerta para outras nações em busca de autonomia em um cenário internacional cada vez mais polarizado.