Os especialistas analisam que as dificuldades enfrentadas por esses varejistas vão além da má gestão, refletindo um esgotamento do modelo físico de negócios. A Selic, que subiu drasticamente de 2% no final de 2020 para 14% ao ano, não só encareceu o financiamento empresarial, mas também restringiu o crédito disponível para o consumidor. Este fator resultou em impacto direto na demanda por produtos e serviços e dificultou a operação de muitos estabelecimentos.
Embora a taxa de desemprego permaneça baixa, as famílias têm visto sua renda comprometida pelo endividamento, que hoje consome 49,8% da sua renda disponível. Esse cenário limita as compras de itens de maior valor, como eletrodomésticos, visto que uma parte significativa do orçamento está sendo direcionada para quitar dívidas e novos gastos digitais, alterando o comportamento do consumidor e reduzindo a procura por bens duráveis.
Adicionalmente à pressão econômica, nota-se uma mudança estrutural dentro do setor varejista. Estratégias de expansão física, como as implementadas pelas Casas Bahia, perderam relevância diante do crescimento do e-commerce. A presença física em si não é mais um fator decisivo; agora, a eficiência operacional e a sustentabilidade financeira são cruciais para a sobrevivência. Enquanto empresas como Magazine Luiza se adaptaram rapidamente ao ambiente digital, outras, que mantiveram estruturas volumosas e dependentes de lojas, enfrentam desafios operacionais e custos financeiros que não são mais viáveis em um contexto de juros elevadíssimos.
Os prognósticos indicam que novas recuperações judiciais não estão descartadas para o futuro próximo. Contudo, essa medida apenas endereça problemas passados, não garantindo que as empresas consigam reestruturar suas operações para se adaptarem a um varejo em constante transformação e cada vez mais competitivo, que demanda estratégias mais alinhadas com a era digital.
