Nos últimos anos, os bancos digitais brasileiros testemunharam um crescimento explosivo, mas acompanhados de um aumento alarmante na inadimplência. De acordo com um estudo recente, a taxa de inadimplência entre esses neobancos cresceu 163% entre 2021 e 2025, enquanto a base de clientes expandiu apenas 14,95% durante o mesmo período. Esses dados refletem uma nova realidade no acesso ao crédito no Brasil, onde os neobancos emergem como a principal fonte de crédito para milhões de brasileiros, mas também enfrentam o desafio crescente de contas a receber em atraso.
O índice de clientes inadimplentes em cartões de crédito digitais saltou de 7,71% em 2021 para 20,31% em 2025, indicando que um em cada cinco usuários desses serviços enfrenta atrasos em pagamentos. Em comparação, os bancos tradicionais experimentaram uma leve queda na inadimplência, reduzindo-a de 14,57% para 13,6% no mesmo intervalo. Essa disparidade levanta questões sobre a capacidade de gestão de risco desses novos bancos, que têm atraído um número crescente de clientes, principalmente entre os de menor renda.
De fato, o estudo revela que o público de baixa renda teve um aumento significativo no acesso a créditos, com o percentual de consumidores com renda inferior a um salário mínimo usando cartões de crédito passando de 6% para 20,5%. No caso dos empréstimos pessoais, esse grupo cresceu de menos de 5% para mais de 14%. Contudo, a inadimplência entre esses consumidores não ficou para trás, aumentando drasticamente: a taxa de inadimplentes neste grupo subiu de 9,5% para 33% no mesmo período.
Em um cenário semelhante, os dados mostram que a abordagem dos neobancos em relação ao cartão de crédito é estratégica. Utilizá-lo como um produto de entrada ajuda a analisar o comportamento financeiro dos clientes e ajustar limites de forma mais dinâmica. A taxa de aprovação de cartões de crédito iniciais nos neobancos ultrapassou 40%, enquanto nos bancos tradicionais esse número se manteve em torno de 5%. Isso significa que muitos consumidores estão se aventurando no uso do crédito pela primeira vez, o que pode ser um fator de risco.
Especialistas propõem que, para mitigar a crescente inadimplência, os bancos digitais precisarão aprimorar suas análises de risco, integrando dados mais abrangentes sobre o comportamento financeiro dos clientes. Além disso, a utilização de tecnologias emergentes e alertas dentro dos aplicativos pode ajudar a monitorar e, idealmente, reduzir o número de inadimplentes.
Apesar das dificuldades enfrentadas, a expansão do crédito para consumidores de baixa renda é vista como um passo positivo para a inclusão financeira no país. Muitos desses indivíduos, que anteriormente tinham acesso limitado ao crédito, agora se beneficiam de oportunidades que possibilitam melhorias em suas vidas financeiras. A questão que se coloca, portanto, é como os neobancos podem equilibrar a inclusão com a responsabilidade, garantindo que o acesso ao crédito não transforme-se em um fardo para os novos usuários.
