Questões como a reversão de um cartão vermelho para a seleção americana, críticas ao tratamento das delegações do Sul Global e alegações de racismo ampliaram um debate já acalorado sobre a proximidade entre a FIFA e a administração de Trump. O professor Adriano de Freixo, da Universidade Federal Fluminense (UFF), argumenta que essa edição da Copa consolidou a ideia de uma FIFA subserviente aos interesses políticos diários, em contraste com a postura de rigidez adotada em edições anteriores, que exigiam maiores padrões de respeito às normas internacionais.
As transformações sociais e políticas nos três países anfitriões, desde a escolha da sede, frustraram as expectativas de que o evento simbolizaria uma unidade da América do Norte. O evento, inicialmente concebido para destacar a cooperação entre os países, agora transmite uma imagem negativa dos Estados Unidos, principalmente devido à interferência governamental.
O impacto dessa política nos esportes reverbera não apenas em decisões isoladas, mas coloca em xeque a própria natureza da competição. Este fenômeno não é sem precedentes: a Copa de 1978, realizada na Argentina durante uma ditadura militar, é frequentemente citada como um evento que foi amplamente explorado politicamente, ofuscando a conquista esportiva com alegações de manipulação.
À medida que as incertezas pairam sobre a memória deste Mundial, a preocupação sobre como essas decisões políticas poderão eclipsar o legado esportivo da competição se intensifica. Além do que os torcedores podem esperar ver em campo, os desdobramentos das decisões tomadas fora dele começam a se tornar tão relevantes quanto os resultados das partidas. O que se vê é um futebol se torn reando, cada vez mais, em uma ferramenta para a geopolítica, levantando suspeitas que poderão moldar a forma como a história recordará esta Copa.
