Cabo Bebeto relatou que Bolsonaro o havia elogiado por sua atuação na Câmara dos Deputados, onde Lira teve o poder de decidir sobre os processos de impeachment. Em 2021, por exemplo, Lira declarou que não havia justificativa para abrir esse tipo de processo, considerando os pedidos que recebeu como improcedentes. Na ocasião, um “superpedido” de impeachment se juntava a 122 outras solicitações, um momento em que a tensão política era alta.
É importante notar que, atualmente, Bolsonaro enfrenta condenações do Supremo Tribunal Federal por uma série de crimes relacionados a tentativas de golpe e desvio de poder após as eleições de 2022. Esse histórico dá ainda mais peso às declarações de Bebeto, que contrastam com a tentativa de Lira de se posicionar como um político de diálogo que se afasta das polarizações extremas.
Em seu discurso ao público, Lira enfatizou a importância do “caminho do meio”, apresentando-se como um interlocutor capaz de conversar com diferentes grupos, reforçando seu distanciamento tanto do bolsonarismo quanto do petismo. No entanto, seus aliados na convenção não hesitaram em destacar seu vínculo com o ex-presidente, o que revela uma dicotomia entre a imagem que Lira procura construir e a realidade de suas alianças políticas.
Adicionalmente, a convenção também foi marcada pela ausência do deputado federal Alfredo Gaspar, presidente estadual do Partido Liberal (PL) e concorrente ao Senado. Esta falta é significativa, dado o contexto de negociações políticas nas quais Gaspar e Lira tentavam formar uma chapa conjunta para as eleições. A ausência de Gaspar na convenção levanta questões sobre a viabilidade política dessa aliança, especialmente em um momento em que os dois buscavam formar uma frente com outros candidatos, como JHC, ex-prefeito de Maceió.
Outro aspecto relevante trazido à tona na convenção foi a menção de Leonardo Dias, vereador de Maceió, que atribuiu a Lira um papel nas negociações para a aquisição do Hospital da Cidade pela Prefeitura, uma operação que gerou controvérsias e críticas, principalmente em relação ao preço pago e sua justificativa.
Em suma, a convenção que deveria ser o lançamento da candidatura de Lira acabou revelando uma série de questões tanto sobre sua posição em relação a Bolsonaro quanto sobre sua dinâmica política em Alagoas. Enquanto o candidato buscava distanciar-se das extremidades políticas, os discursos de seus aliados evocaram sua importância no governo anterior e trouxeram à tona questões de sua trajetória que Lira preferiu omitir. A situação se complica ainda mais com a ausência de Gaspar, a qual poderá impactar a estratégia eleitoral da chapa senatorial alagoana.





