A controvérsia em torno do bônus financeiro levanta questões sobre a forma como os direitos dos imigrantes estão sendo tratados no país. O Partido Democrático (PD), a principal força de oposição, não hesitou em rechaçar a proposta, afirmando que o decreto está mais focado em restrições e desmantelamento de direitos fundamentais do que em proporcionar assistência aos cidadãos estrangeiros. A Ordem dos Advogados enfatizou em declaração oficial que nunca foi consultada sobre o tema — nem durante o processo legislativo nem após a aprovação inicial — e solicitou ao Parlamento italiano a remoção de qualquer menção a esse bônus.
Embora o decreto não especifique claramente como o valor da compensação deve ser aplicado, as diretrizes afirmam que a quantia é baseada na “compensação equivalente ao valor da contribuição econômica para necessidades básicas” — uma referência ao programa de repatriação voluntária mais recente, que começou em 2024.
Além disso, o tempo para transformar o decreto em lei é limitado, uma vez que a Câmara dos Deputados tem até 25 de abril para finalizar sua análise. Caso seja feita alguma emenda em resposta à pressão da Ordem dos Advogados, o texto terá que retornar ao Senado para uma nova votação.
Esse ambiente de debate também mobilizou a Organização da Ordem dos Advogados, que expressou “forte surpresa” e declarou um “estado de agitação” entre os profissionais do Direito, exigindo modificações profundas no texto proposto. O secretário do partido Mais Europa, Riccardo Magi, criticou o decreto severamente, comparando-o a um “sistema de recompensas ao estilo do Velho Oeste”, que, segundo ele, pune os defensores dos direitos dos cidadãos estrangeiros e os incentiva a negligenciar suas obrigações éticas e profissionais.







