Defesa afirma que ‘homem errado’ foi acusado em ataque suicida no aeroporto de Cabul durante caótica retirada dos EUA do Afeganistão em 2021

O julgamento de Mohammad Sharifullah, acusado de envolvimento em um ataque suicida no aeroporto de Cabul durante a caótica retirada das tropas americanas do Afeganistão em agosto de 2021, teve início na última segunda-feira em Alexandria, Virgínia. Na ocasião, seus defensores argumentaram que o governo dos Estados Unidos “pegou o homem errado”, afirmando que Sharifullah não estava envolvido na trama do atentado que resultou na morte de quase 200 pessoas, incluindo 13 militares americanos.

O advogado de defesa, Geremy Kamens, enfatizou a inocência de seu cliente, sugerindo que a confissão feita por Sharifullah teria sido forçada e ocorrida sob coerção. Durante horas de interrogação pelo FBI, o afegão, também conhecido como Jafar, aparentemente se admitiu membro do grupo terrorista ISIS-K desde 2016, embora tenha negado qualquer participação no planejamento do ataque. “Ele disse que fez muitas outras coisas em nome do ISIS-K, mas não planejou o ataque”, alegou o promotor do Departamento de Justiça, John Gibbs.

O ataque em questão ocorreu em um momento crítico, em 26 de agosto de 2021, enquanto o aeroporto de Cabul era o epicentro de uma operação massiva de evacuação, onde um homem-bomba detonou um explosivo perto do Abbey Gate, resultando em um massacre que chocou o mundo. O autor do ataque foi identificado como Abdul Rahman al-Logari, um militante do Estado Islâmico. A revisão realizada pelo Comando Central dos Estados Unidos concluiu que o ataque não era evitável, desde que os possíveis alertas não foram suficientes para impedir a tragédia.

A captura de Sharifullah foi anunciada pelo ex-presidente Donald Trump em um discurso proferido em março de 2025, e ele agora pode enfrentar uma condenação máxima de prisão perpétua. O julgamento, que deve durar cerca de uma semana, é marcado por tensões, não apenas no âmbito legal, mas também em meio ao rescaldo político da retirada do Afeganistão. Enquanto alguns críticos condenam a forma como o governo Biden lidou com a evacuação, Trump e seus aliados utilizam a situação para representar o que consideram falhas na administração atual.

Entre as alegações apresentadas pela defesa estão acusações de tortura e coerção, sugerindo que Sharifullah, preso em um contexto de extrema pressão, teria se sentido compelido a fazer uma confissão falsa. A questão central gira em torno do que realmente aconteceu no fatídico dia do ataque e se Sharifullah realmente esteve envolvido ou se de fato foi uma vítima do sistema.

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