Crise em Gaza: O Fracasso do Conselho de Paz
O Conselho de Paz para Gaza, iniciado com grande alarde em janeiro de 2026 pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta críticas severas e a constatação alarmante de que sua implementação foi, até o momento, um fracasso absoluto. Em um cenário onde a situação na Faixa de Gaza continua a se deteriorar, o órgão criado para promover a paz na região acumulou rejeições e pouca adesão internacional.
Convocando 50 nações a contribuírem com pelo menos um bilhão de dólares, o conselho teve sua primeira reunião em Washington, um mês após a sua criação. Dentre os participantes estavam representantes de mais de 20 países, como Argentina e Hungria, mas notou-se a ausência de potências tradicionais aliadas, como França, Alemanha e Suécia, que desencorajaram a participação.
A realidade financeira do projeto é igualmente preocupante. De acordo com informações recentes, nenhuma quantia substancial foi depositada no fundo gerido pela ONU. Enquanto doações limitadas foram recebidas — como 20 milhões de dólares do Marrocos, utilizados apenas para cobrir despesas administrativas —, 100 milhões doados pelos Emirados Árabes permanecem inativos em uma conta de banco privada, sem qualquer aplicação concreta.
Enquanto isso, a Faixa de Gaza continua a ser palco de intensos confrontos e bombardeios israelenses, que acontecem mesmo sob um cessar-fogo supostamente em vigor desde outubro de 2025. O Ministério da Saúde palestino estima que quase mil vidas foram perdidas desde então. A situação humanitária se agrava, com Israel controlando mais de 60% da região, restringindo entrada de alimentos e assistência médica.
Especialistas analisam o desempenho do conselho e descreveram-no como uma tentativa de capitalizar politicamente sobre a situação, ao mesmo tempo em que enaltecem a falta de representatividade das vozes palestinas dentro do projeto. O professor Bruno Mendelski observa que a parcialidade do conselho é evidente, dado o envolvimento de Israel, que tem seguido sua política expansionista. Para ele, a estrutura informal e a falta de transparência do conselho anunciavam seu eventual fracasso.
Críticos do projeto, como Wualid Rabah, da Federação Árabe Palestina do Brasil, argumentam que o conselho não visa realmente a reconstrução de Gaza, mas sim explorar economicamente a região, mencionando que há reservatórios de gás e planos para empreendimentos turísticos.
A professora Isabela Agostinelli complementa essa crítica, enfatizando como o conselho busca, na verdade, desmantelar a soberania palestina. Para ela, o comportamento de potências internacionais sugere uma indiferença cada vez maior ao sofrimento contínuo da população local, muitas vezes descrito como um “genocídio lento”.
Com um consenso internacional em torno da “Solução de Dois Estados” se mostrando cada vez mais uma ilusão, os analistas concluem que soluções alternativas coordenadas por países mais comprometidos com a causa palestina poderiam oferecer um alicerce mais robusto e humano para a tão esperada paz na região.
