Esta escalada não ocorre em um vácuo, mas em um contexto de tensões já existentes entre potências regionais e globais, especialmente entre os EUA e o Irã. A atual fase de instabilidade se agrava em um cenário em que a Arábia Saudita recentemente firmou um acordo de defesa mútua com o Paquistão, aumentando ainda mais as tensões e as implicações geopolíticas da situação. Beatriz Gomes, especialista em geopolítica, destaca que essa nova fase de conflitos é uma demonstração de uma guerra por procuração, onde os interesses das potências se sobrepõem às questões internas do Iémen.
A situação é alarmante não apenas por conta das hostilidades, mas também pelo impacto que têm no comercio internacional. Na segunda-feira passada, o governo do Iémen anunciou um bloqueio do estreito de Bab el-Mandeb, crucial para a navegação, representando uma ameaça direta ao tráfego marítimo saudita. Esta decisão forçou petroleiros a mudarem seus trajetos, aumentando consideravelmente os custos logísticos e impactando as cadeias de abastecimento global. Gomes sublinha que os houthis, atuando como parte do “Eixo da Resistência”, mostraram-se não apenas um ator local, mas um influente jogador nas dinâmicas de poder do Oriente Médio.
Os efeitos de uma potencial escalada do conflito podem ultrapassar as fronteiras do Oriente Médio, exacerbando crises econômicas e de combustível global. Gomes prevê que uma guerra maior poderia surgir, levando a uma desorganização que afetaria gravemente economias ao redor do mundo. A preocupação é clara: a continuidade das hostilidades e a enredamento de potências pode culminar em uma grande guerra regional, com efeitos prejudiciais e abrangentes para a segurança global.





