Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, justifica a recomendação como parte de uma avaliação minuciosa das razões apresentadas pela Bienal para permitir a participação da Rússia. Luciana Borgonzoni, vice-ministra da Cultura da Itália, reagiu com veemência, considerando a decisão como “simplesmente inaceitável”. Ela argumentou que a União Europeia estaria invadindo espaços de autonomia da organização do evento. Para a vice-ministra, essa medida fere os princípios do Estado de Direito e é um claro reflexo de um veredito político, que poderia comprometer anos de trabalho árduo da Bienal.
A controvérsia ganhou força quando o Ministério da Cultura da Itália confirmou que a direção da Bienal havia tomado a decisão de reabrir o pavilhão russo de forma independente. De acordo com Pietrangelo Buttafuoco, presidente da Bienal, a intenção era criar um espaço para ouvir outras perspectivas em vez de acentuar a politização do evento. Em resposta à pressão da Comissão Europeia, a organização buscou explicações, advertindo que a suspensão do financiamento era uma medida real.
No curso desse embate, o júri da Bienal tomou a decisão de excluir a Rússia e Israel da lista de concorrentes aos cobiçados prêmios Leão de Ouro e Leão de Prata, justificando que não premiariam nações envolvidas em conflitos armados. Essa decisão levou os cinco jurados a renunciarem a seus cargos. Em função dessa crise, a Fundação Bienal de Veneza decidiu adiar a cerimônia de premiação que estava agendada para 9 de maio, agora marcada para o final de novembro.
Historicamente, a Bienal de Veneza, criada em 1895, se destaca como uma das exposições mais tradicionais de arte contemporânea global. Desde sua inauguração, o pavilhão da Rússia, situado nos Jardins da Bienal, foi projetado por Aleksei Shchusev e ergue-se como um símbolo da interação cultural, agora em meio a um conturbado cenário político.
