Comissão Europeia propõe cancelamento de €2 milhões à Bienal de Veneza após reabertura do pavilhão da Rússia, gerando polêmica com governo italiano.

A Comissão Europeia, em uma ação polêmica, recomendou à Agência Executiva Europeia da Educação e da Cultura (EACEA) a suspensão de um financiamento de 2 milhões de euros, o que equivale a aproximadamente R$ 11,7 milhões, destinado à Bienal de Veneza. Esta decisão surge após a reabertura do pavilhão da Rússia no renomado evento artístico, o que gerou uma onda de reações, especialmente do governo italiano.

Henna Virkkunen, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, justifica a recomendação como parte de uma avaliação minuciosa das razões apresentadas pela Bienal para permitir a participação da Rússia. Luciana Borgonzoni, vice-ministra da Cultura da Itália, reagiu com veemência, considerando a decisão como “simplesmente inaceitável”. Ela argumentou que a União Europeia estaria invadindo espaços de autonomia da organização do evento. Para a vice-ministra, essa medida fere os princípios do Estado de Direito e é um claro reflexo de um veredito político, que poderia comprometer anos de trabalho árduo da Bienal.

A controvérsia ganhou força quando o Ministério da Cultura da Itália confirmou que a direção da Bienal havia tomado a decisão de reabrir o pavilhão russo de forma independente. De acordo com Pietrangelo Buttafuoco, presidente da Bienal, a intenção era criar um espaço para ouvir outras perspectivas em vez de acentuar a politização do evento. Em resposta à pressão da Comissão Europeia, a organização buscou explicações, advertindo que a suspensão do financiamento era uma medida real.

No curso desse embate, o júri da Bienal tomou a decisão de excluir a Rússia e Israel da lista de concorrentes aos cobiçados prêmios Leão de Ouro e Leão de Prata, justificando que não premiariam nações envolvidas em conflitos armados. Essa decisão levou os cinco jurados a renunciarem a seus cargos. Em função dessa crise, a Fundação Bienal de Veneza decidiu adiar a cerimônia de premiação que estava agendada para 9 de maio, agora marcada para o final de novembro.

Historicamente, a Bienal de Veneza, criada em 1895, se destaca como uma das exposições mais tradicionais de arte contemporânea global. Desde sua inauguração, o pavilhão da Rússia, situado nos Jardins da Bienal, foi projetado por Aleksei Shchusev e ergue-se como um símbolo da interação cultural, agora em meio a um conturbado cenário político.

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