O pergaminho, que permaneceu enrolado e em um estado frágil durante séculos, foi transformado em um bloco de carbono pelo intenso calor da erupção, tornando qualquer tentativa de desenrolá-lo fisicamente um risco mortal para as informações contidas nele. Tentativas anteriores, especialmente nos séculos 19 e 20, resultaram em danos significativos aos papiros, limitando o acesso às informações que eles poderiam fornecer sobre a época.
A equipe de pesquisadores que se dedicou a essa tarefa inovadora utilizou tecnologia de imagem para digitalizar o documento e, em seguida, treinou um algoritmo de inteligência artificial para identificar uma tinta quase invisível que estava presente no pergaminho. Esse processo culminou na reconstrução digital do texto grego, permitindo a recuperação de cerca de 1,5 metro de escrita contínua distribuída em aproximadamente 20 colunas. A verificação final das leituras foi realizada por papirologistas, garantindo uma interpretação precisa do conteúdo.
O texto recuperado revela um tratado de ética estoica que discute assuntos como a natureza humana, autodomínio e desenvolvimento moral. Curiosamente, a coluna final menciona Aristocreonte, um aluno de Crisipo, levando os pesquisadores a crer que o pergaminho remonta ao século II a.C. e pode estar vinculado a obras perdidas desse filósofo.
Esta pesquisa não apenas abre uma nova janela sobre histórias antigas, mas também destaca o potencial de métodos digitais para lidar com mais de 600 outros pergaminhos selados encontrados na Villa dos Papiros. A expectativa é que essa abordagem não destrutiva permita a leitura de uma vasta gama de obras, proporcionando insights cada vez mais profundos sobre a vida e o pensamento dos antigos. A comunidade científica espera que essa inovação inspire novas aplicações em arqueologia e preservação de artefatos históricos.





