Os líderes assinaram uma declaração conjunta que sublinha a importância de um mundo multipolar, uma visão que contrasta com a hegemonia dos Estados Unidos. Especialistas afirmam que tanto a China quanto a Rússia se consolidam como protagonistas em um processo que se opõe ao que chamam de “unilateralismo” americano. De acordo com o professor da Universidade Federal Fluminense, Bernardo Kocher, ambos os países são “campeões de um processo de formação de multipolaridade”. Ele observa que a influência dos EUA está em declínio, e essa nova dinâmica não representa uma bipolaridade à moda da Guerra Fria, mas sim uma “disputa de dois lados”.
Embora haja incertezas e tensões em torno do cenário internacional, Kocher acredita que, para China e Rússia, há um momento de relativa estabilidade interna e coordenação estratégica. A questão, segundo ele, envolve não apenas dependência mútua, mas também uma diversificação necessária nas relações econômicas. O gasoduto Força da Sibéria 2 é um exemplo dessa interdependência, que, segundo Kocher, não limita a autonomia da China, que já diversificou suas fontes de gás.
A relação entre Rússia e China vai além da simples troca de recursos energéticos. Os dois países exploram colaborações em áreas como inteligência artificial e tecnologia, o que sugere um verdadeiro vínculo que pode mudar a configuração do jogo geopolítico global. Os analistas se mostram otimistas a respeito desse potencial, reconhecendo que as mudanças na ordem trabalhista global estão ao alcance, especialmente com o fortalecimento do BRICS, que inclui também a Índia e o Brasil.
Ricardo Cabral, editor especializado em geopolítica, complementa essa análise ao ressaltar que a visita de Putin à China reafirma a complexidade e a profundidade dos laços sino-russos em um momento de crescentes tensões internacionais. Esses laços embora históricos, estão se reinventando para enfrentar os desafios do século XXI, sugerindo que a multipolaridade pode ser mais forte do que nunca. Portanto, à medida que China e Rússia se consolidam como potências interligadas, a redefinição dos papéis no cenário global já está em andamento.





