Conforme um estudo divulgado pela Câmara de Comércio da União Europeia na China, o número de medidas restritivas saltou de 11 para 30 entre 2021 e 2025. Essas ações estão dentro de um contexto de controles “geoeconômicos”, que têm como objetivo não apenas a proteção dos interesses econômicos chineses, mas também a manobra política em um cenário global onde o domínio sobre recursos, como terras raras, se torna estratégico.
A implementação de novas regulamentações permite que o governo chinês não apenas puna empresas estrangeiras que conduzem auditorias em seus fornecedores, mas também proíba a saída de indivíduos que desrespeitem tais regras. Essa abordagem reforça a estratégia de Pequim de demonstrar que está disposta a retaliar ações que visem limitar seu acesso a mercados e tecnologias internacionais.
No panorama internacional, a União Europeia, apesar de reconhecer que algumas restrições justificam-se por questões de segurança, expressa preocupações sobre a possível escalada de uma “corrida para o fundo do poço”. O aumento dos controles pode intensificar as tensões comerciais e aprofundar a divisão entre potências globais.
Desde 2020, a China tem reforçado seu arsenal legal contra sanções e regulamentações externas, formalizando práticas que já eram empregadas em incidentes passados, como as restrições às exportações de terras raras ao Japão em 2010. Especialistas alertam que a proibição de auditorias prévias pode ser contraproducente, pois impede a aplicação de padrões internacionais de qualidade, afetando negativamente a confiança do mercado.
Com um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão no último ano, a China continua dependente de suas exportações para sustentar um crescimento econômico robusto, mesmo diante de uma conjuntura interna menos favorável. Assim, o país parece utilizar as novas regras como uma forma de equilibrar a balança nas discussões comerciais e mostrar sua determinação em proteger seus interesses diante de adversidades externas.






