Zhou argumenta que a credibilidade do dólar está sendo corroída por diversas ações políticas dos Estados Unidos, incluindo a imposição de tarifas comerciais e o uso do dólar como ferramenta em sanções econômicas. Eventos geopolíticos em curso também contribuíram para uma deterioração na confiança na moeda norte-americana, criando um ambiente favorável para que o renminbi (yuan) obtenha um papel mais significativo no cenário monetário internacional.
Além da desconfiança no dólar, Zhou observou que a valorização atual do yuan, impulsionada pelo retorno de capitais para a China, proporciona uma oportunidade única para ampliar a influência do renminbi globalmente. Em um recente Fórum de Moedas em Xangai, ele enfatizou a necessidade de ações estratégicas e graduais para aproveitar esse momento promissor.
Com uma longa carreira que abrangeu de 2002 a 2018, Zhou foi uma figura central na promoção da internacionalização do yuan, permitindo seu uso em liquidações comerciais transfronteiriças desde 2009. Agora, ele está focado em desmistificar argumentos que consideram o superávit comercial da China como um obstáculo para a competitividade do yuan, sugerindo que o país pode aumentar a oferta de sua moeda no exterior por meio de contas de capital e empréstimos internacionais.
Zhou afastou ainda a ideia de que a China precisaria replicar a emissão de dívida maciça dos EUA para aumentar a relevância do yuan. Ele argumenta que a demanda real por moedas de reserva é bem menor do que o volume de títulos do Tesouro americano, embora reconheça que a escassez de ativos seguros e líquidos ainda é um desafio a ser superado.
Entre as medidas que ele considera essenciais para fortalecer o yuan estão a ampliação de sua usabilidade, o fortalecimento da infraestrutura financeira transfronteiriça e a criação de centros financeiros mais robustos, como o de Xangai. Com esses passos, a China almeja consolidar a presença do yuan no comércio global e desafiar a hegemonia do dólar.
