China acelera desenvolvimento nuclear e ameaça ultrapassar capacidade dos EUA em poucos anos, impulsionada por construção rápida e custos reduzidos.

A China está intensificando de maneira significativa sua capacidade de energia nuclear, apresentando um ritmo de expansão que pode permitir ao país ultrapassar os Estados Unidos em termos de capacidade nuclear nos próximos anos. Essa movimentação é possível graças a um modelo de operação estatal que prioriza a construção rápida e a padronização de projetos, culminando em reduções de custos notáveis. Enquanto isso, os Estados Unidos enfrentam uma série de obstáculos que incluem atrasos, altos custos e entraves regulatórios que comprometem novos empreendimentos na área nuclear.

O contraste entre os dois países é marcante. No caso da China, a construção de reatores nucleares é amplamente coordenada por entidades governamentais, que garantem que todos os componentes necessários sejam fabricados localmente e estejam prontos antes do início das obras. Isto foi evidenciado quando François Morin, representante da Associação Nuclear Mundial, acompanhou engenheiros estrangeiros em uma visita à Shanghai Electric, onde puderam observar que geradores de vapor e núcleos de reatores estavam prontos para envio, mesmo antes de serem instalados.

Enquanto a China conseguiu adicionar 27 novos reatores operacionais desde 2016, os Estados Unidos só conectaram duas novas unidades nesse mesmo período, quase que duplicando sua capacidade nuclear em comparação com a paralisia no investimento e construção norte-americana. Especialistas, como Victor Nian, cofundador do Centro para Energia Estratégica e Recursos em Cingapura, ressaltam que a China se consolidou como a única nação com uma continuidade sólida em experiência de construção nuclear, mantendo a energia nuclear como um elemento-chave em sua transição energética, mesmo após as suspensões provocadas pelo acidente de Fukushima.

A padronização dos modelos de reatores, com destaque para os desenvolvimentos do Hualong One e CAP1000, tem sido um fator crucial, permitindo que a China consiga concluir reatores em um prazo de cinco anos. Os custos de produção, como o custo nivelado da energia (LCOE), podem chegar a valores significativamente menores se comparados aos padrões atuais ocidentais, o que representa uma vantagem competitiva considerável.

Como reflexo dessa tendência, a China hoje opera 62 reatores e está ativamente construindo mais 58, posicionando-se para não apenas alcançar, mas também superar a capacidade nuclear dos Estados Unidos nas próximas décadas. Este panorama destaca a crescente influência da China no setor nuclear e o desafio que isso representa para a primazia histórica dos EUA na área. A dinamicidade e a eficiência do modelo chinês contrastam fortemente com as dificuldades enfrentadas por projetos norte-americanos, levantando questões sobre a sustentabilidade do setor nuclear nos Estados Unidos no futuro.

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