Com uma quantidade impressionante de reatores já em operação e outros em fase de construção, a China prevê superar a capacidade nuclear dos Estados Unidos nos próximos anos. Até o momento, o país asiático já adicionou 27 reatores operacionais desde 2016, quase dobrando sua capacidade instalada. Em contraste, os Estados Unidos apenas conectaram duas novas unidades nucleares no mesmo período, evidenciando a discrepância entre os dois modelos de desenvolvimento de energia.
Um dos aspectos que torna a construção nuclear na China singular é o papel central do Estado, que não apenas coordenada, mas também impulsiona o processo. Esse sistema permite que componentes pesados, tais como geradores de vapor e núcleos de reatores, sejam montados com antecedência e fiquem prontos para envio antes mesmo do início das obras no local. Esse tipo de abordagem é raramente observado nas cadeias de suprimento ocidentais, oferecendo à China uma vantagem significativa em termos de tempo e eficiência.
Especialistas do setor, como o cofundador do Centro para Energia Estratégica e Recursos, destacam que a China se apresenta como o único país com uma continuidade consistente na construção de projetos nucleares. Apesar de passar por uma pausa após o acidente de Fukushima, o país reagiu reestruturando sua abordagem e reforçando a energia nuclear como uma peça-chave para sua transição verde.
A padronização dos projetos, centrados em modelos como o Hualong One e o CAP1000, não só reduziu custos, mas também acelerou os cronogramas, tornando a conclusão de reatores em apenas cinco anos uma prática comum. Já nos EUA, o cenário é oposto. As usinas 3 e 4 de Vogtle, por exemplo, levaram mais de uma década para serem finalizadas, acumulando atrasos e excedendo orçamentos previstos.
Além disso, enquanto os construtores nos Estados Unidos enfrentam um cenário de financiamento caro, os fabricantes chineses se beneficiam de empréstimos com juros baixos, que possibilitam iniciar a produção de equipamentos antes mesmo do início das constructions. Essa dinâmica é reforçada por aprovações frequentes do Conselho de Estado, que garantem um fluxo constante de trabalho e segurança na cadeia de suprimento.
Com um custo de operação que pode chegar a US$ 42 por MWh, quase metade do estimado para projetos ocidentais, a China se coloca em uma trajetória promissora, com 62 reatores em funcionamento e 58 em construção. O futuro da energia nuclear do país parece brilhante, e a liderança global neste setor pode estar ao seu alcance em um futuro próximo.



