Atualmente, entre os treze candidatos à presidência, apenas Luiz Inácio Lula da Silva mantém uma coligação nacional, por meio da Federação Brasil da Esperança, que integra sete partidos de esquerda e centro-esquerda. Essa estrutura, herdada das eleições anteriores, funciona como uma tábua de salvação para partidos que viram sua influência e representatividade no Congresso diminuírem.
O contraste com o cenário de 2022 é evidente; naquele ano, três candidaturas apresentavam alianças robustas, enquanto agora se observa uma notable fragmentação. Segundo análises realizadas por especialistas em ciência política, essa tendência de desvinculação das coligações nacionais sinaliza uma nova era para o presidencialismo brasileiro. A política se “paroquiza”, permitindo que caciques regionais criem suas próprias bases eleitorais sem pressões das hierarquias partidárias centrais.
Essa mudança também traz implicações importantes para a dinâmica das campanhas. Ao invés de uma formação de coalizões amplas e centralizadas, há um surgimento de acordos locais que são moldados pelas necessidades específicas de cada estado. Assim, os partidos são livres para apoiar diferentes candidatos presidenciais, priorizando suas conveniências e laços regionais.
Entretanto, essa falta de coligações diminui também os incentivos para a formação de chapas plurais e diversas. Assim, a composição das candidaturas parece refletir esta mudança estrutural, com um número reduzido de mulheres entre os candidatos: dos 25 nomes apresentados, apenas seis são mulheres, e somente duas lideram chapas. A análise sugere que a fragmentação, a autonomia regional e a queda na diversidade nas candidaturas podem reconfigurar a política brasileira, promovendo uma nova realidade eleitoral que reforça o peso das lideranças locais.
