Câncer pode quase dobrar até 2050; OMS alerta sobre desigualdade e importância de mudança nos tratamentos globais para aumentar taxas de sobrevivência.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez uma previsão alarmante sobre o futuro do câncer global, apontando para um aumento significativo nos diagnósticos até 2050. Os dados indicam que, já em 2024, cerca de 20,6 milhões de novos casos da doença poderão ser registrados, e essa cifra pode quase dobrar, atingindo impressionantes 35 milhões a cada ano, se não forem tomadas medidas efetivas.

Um dos aspectos mais preocupantes destacados pela OMS é a desigualdade no tratamento do câncer, que está profundamente enraizada nas disparidades econômicas entre nações. Essa diferença afeta diretamente a taxa de sobrevivência dos pacientes: enquanto em países de alta renda mais de 85% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama conseguem sobreviver por cinco anos, em várias nações de baixa renda a taxa de sobrevivência cai para menos de 30%. Essa realidade clama por uma ação imediata e efetiva.

O Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, enfatizou em um comunicado que a reação ao câncer deveria ser universal, independentemente da origem ou condição financeira do indivíduo. Segundo ele, “O câncer é uma doença profundamente pessoal que afeta praticamente todos nós”, acrescentando que a sobrevivência não deveria ser algo condicionado pelo lugar de nascimento ou pela renda.

A análise também revela que a falta de suporte no sistema de saúde é uma barreira significativa para muitos pacientes. Menos de um terço dos países contemplam tratamentos para câncer em seus pacotes de cobertura de saúde, o que significa que em muitos lugares, os cuidados necessários não estão disponíveis na rede pública.

O impacto do câncer não se restringe apenas aos diagnósticos; cerca de 92% da população global sofrerá de alguma forma, seja por um diagnóstico próprio ou pela responsabilidade de cuidar de um ente querido que enfrente a doença. O câncer de pulmão se destaca como a principal causa de morte relacionada à doença ao redor do mundo, com os homens mais frequentemente afetados por cânceres de pulmão, próstata e colorretal, enquanto as mulheres lidam especialmente com câncer de mama, colorretal e de colo do útero.

Entretanto, é importante notar que quase 40% dos casos de câncer estão associados a fatores de risco que podem ser evitados. Dentre eles, infecções como papilomavírus humano (HPV) e hepatites, além de comportamentos de risco como o consumo de álcool e tabagismo. A OMS observou uma redução significativa de 27% no consumo de tabaco desde 2010, o que contribuiu para a diminuição de casos e mortes relacionados ao câncer de pulmão.

Esses dados ressaltam a necessidade urgente de ações abrangentes para combater o câncer e garantir acesso equitativo a tratamentos eficazes em todo o mundo.

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