Um dos aspectos mais preocupantes destacados pela OMS é a desigualdade no tratamento do câncer, que está profundamente enraizada nas disparidades econômicas entre nações. Essa diferença afeta diretamente a taxa de sobrevivência dos pacientes: enquanto em países de alta renda mais de 85% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama conseguem sobreviver por cinco anos, em várias nações de baixa renda a taxa de sobrevivência cai para menos de 30%. Essa realidade clama por uma ação imediata e efetiva.
O Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, enfatizou em um comunicado que a reação ao câncer deveria ser universal, independentemente da origem ou condição financeira do indivíduo. Segundo ele, “O câncer é uma doença profundamente pessoal que afeta praticamente todos nós”, acrescentando que a sobrevivência não deveria ser algo condicionado pelo lugar de nascimento ou pela renda.
A análise também revela que a falta de suporte no sistema de saúde é uma barreira significativa para muitos pacientes. Menos de um terço dos países contemplam tratamentos para câncer em seus pacotes de cobertura de saúde, o que significa que em muitos lugares, os cuidados necessários não estão disponíveis na rede pública.
O impacto do câncer não se restringe apenas aos diagnósticos; cerca de 92% da população global sofrerá de alguma forma, seja por um diagnóstico próprio ou pela responsabilidade de cuidar de um ente querido que enfrente a doença. O câncer de pulmão se destaca como a principal causa de morte relacionada à doença ao redor do mundo, com os homens mais frequentemente afetados por cânceres de pulmão, próstata e colorretal, enquanto as mulheres lidam especialmente com câncer de mama, colorretal e de colo do útero.
Entretanto, é importante notar que quase 40% dos casos de câncer estão associados a fatores de risco que podem ser evitados. Dentre eles, infecções como papilomavírus humano (HPV) e hepatites, além de comportamentos de risco como o consumo de álcool e tabagismo. A OMS observou uma redução significativa de 27% no consumo de tabaco desde 2010, o que contribuiu para a diminuição de casos e mortes relacionados ao câncer de pulmão.
Esses dados ressaltam a necessidade urgente de ações abrangentes para combater o câncer e garantir acesso equitativo a tratamentos eficazes em todo o mundo.
