CAMARA DOS DEPUTADOS – “Seminário na Câmara Debate Soluções para Reverter Desertificação no Semiárido e Promover Sustentabilidade Ambiental”

No dia 17 de junho de 2026, a Câmara dos Deputados sediou um seminário voltado para a discussão sobre desertificação no semiárido brasileiro, um fenômeno considerado reversível por especialistas que participaram do evento. A iniciativa foi promovida pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara, em colaboração com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e a Frente Parlamentar Ambientalista.

José Etham Barbosa, diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), destacou o trabalho da instituição que, ao longo de 22 anos, desenvolveu tecnologias para mitigar os efeitos da desertificação e promover a produção agrícola na região. Barbosa enfatizou que embora o problema da desertificação não tenha uma solução definitiva, ele não é insolúvel, alertando, porém, para a gravidade da situação. “A desertificação não deve ser encarada como um fenômeno natural; é uma degradação das terras já existentes que afeta diretamente milhões de pessoas, comprometendo a segurança alimentar e o futuro”, afirmou.

Entre 2000 e 2020, a área de risco de desertificação no Brasil cresceu para mais de 170 mil km², afetando cerca de 39 milhões de habitantes. Embora os avanços no abastecimento de água sejam notáveis, o saneamento ainda demanda mais atenção, segundo Barbosa. Ele apresentou o “Sara”, um sistema inovador de saneamento e tratamento de água que atua na transformação de esgoto em um recurso produtivo, paralelo ao fortalecimento da agricultura familiar.

Além do Sara, o Insa também está testando o sistema “Siriema”, em parceria com a Embrapa e governos estaduais, focando no reuso de água e no saneamento. Abdelfetah Siffedine, representante do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), relatou diversos projetos em andamento na região Nordeste, destacando a colaboração com a Funceme no Ceará, onde o foco é a recuperação de terras degradadas e aumentação da biomassa, beneficiando pequenos agricultores.

Outras iniciativas, apontadas pelo representante da FAO no Brasil, envolvem não apenas o manejo sustentável da Caatinga, mas também a hidrologia espacial, que monitora o ciclo da água e a qualidade dos recursos hídricos através de tecnologia avançada. Siffedine também reforçou a importância do uso coletivo da terra, um modelo que auxilia na segurança alimentar e preserva o bioma.

O deputado Inácio Arruda, membro da Comissão de Ciência e Tecnologia, alertou que o sucesso das políticas de combate à desertificação depende dos recursos disponíveis, ressaltando que cabe ao Congresso a destinação correta do orçamento. Ele também anunciou a participação do Brasil na COP 17, que será realizada na Mongólia em agosto e tratará de metas globais para a restauração de terras e combate à desertificação.

O seminário, que contou com a presença de representantes de instituições públicas, especialistas, e movimentos sociais, reafirmou a relevância da união de esforços no combate à desertificação no Brasil, um tema crucial para o futuro socioeconômico do país.

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