CAMARA DOS DEPUTADOS – Seminário Comemora 100 Anos de Milton Santos e Destaca a Atualidade de Seu Pensamento sobre Representatividade e Transformação Social

Em um seminário realizado na Câmara dos Deputados em comemoração aos 100 anos do renomado geógrafo Milton Santos, especialistas e autoridades discutiram a importância contínua de suas obras e ideias na análise da realidade brasileira e global contemporânea. O evento, que contou com a participação da neta do pensador, Nina dos Santos, Secretária-Adjunção de Políticas Digitais da Presidência da República, ressaltou como o legado de Milton ainda é vital para os debates sobre representatividade, soberania e conexões sociais em um mundo em constante transformação.

Nina destacou a preocupação de seu avô em buscar soluções práticas para os problemas enfrentados em sua época. Ela enfatizou a necessidade de ir além das críticas superficiais e do diagnóstico dos desafios, propondo alternativas criativas para a realidade atual. “Milton Santos nunca se acomodou com a crítica vazia; ele sempre buscou alternativas e soluções. Assim como ele fez, devemos todos nós também encarar o desafio de transformar a sociedade”, declarou.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), vice-coordenador da Bancada Negra da Câmara, lembrou que a representatividade foi um dos temas abordados por Milton em um debate em 2000. Para ele, essa questão continua pertinente, pois a representatividade ainda é um desafio crucial para a democracia brasileira. Silva ressaltou que a inclusão da população negra e das mulheres nos espaços de tomada de decisão é fundamental para fortalecer a conexão entre o povo e as instituições políticas.

Maurício Costa de Carvalho, professor do Instituto Federal de São Paulo, trouxe à tona a crítica de Milton Santos à globalização e à fragilização do Estado frente às grandes corporações. O docente mencionou que, em 1997, Milton já alertava sobre o fim da representatividade, caracterizado pela subordinação do poder público aos interesses empresariais. Essa transformação resulta na fragmentação do território e em um abandono dos valores solidários que deveriam nortear a política.

Contudo, Carvalho também destacou que Milton via potencial para transformações positivas na era da globalização e no avanço tecnológico, particularmente através do protagonismo dos grupos periféricos, como indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Segundo ele, enquanto as elites se alinhavam aos interesses corporativos, os mais marginalizados poderiam ser a chave para uma reconfiguração política verdadeira e inclusiva.

O seminário, organizado em parceria com o Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados (Cedes), buscou não apenas homenagear Milton Santos, mas também inspirar novas gerações na construção de um pensamento crítico, criativo e engajado com a transformação social. Assim, a obra do geógrafo, que atravessa décadas, permanece relevante e influente em um Brasil que ainda luta por justiça social e representatividade.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo