CAMARA DOS DEPUTADOS – Redução da Jornada de Trabalho: Ministro Defende Medida para Combater Desigualdade e Aumentar Produtividade entre Trabalhadores no Brasil

Ministro Dario Durigan defende redução da jornada de trabalho como estratégia para combater desigualdades sociais

Em uma audiência na Câmara dos Deputados, realizada na última terça-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, salientou que a diminuição da jornada de trabalho pode ser uma ferramenta eficaz na luta contra desigualdades sociais e econômicas no Brasil. Durante o debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que visa abolir a jornada de seis dias de trabalho por uma semana de descanso, Durigan ressaltou que a maioria dos trabalhadores que ainda enfrentam essa carga horária possuem características alarmantes, como baixa escolaridade e renda inferior, sendo a maioria deles composta por indivíduos negros.

“O objetivo é reduzir essa discrepância e garantir que a população trabalhadora, em sua maioria menos favorecida, não continue a ser discriminada no ambiente profissional”, declarou o ministro. Dados apresentados por ele apontam que entre 60% e 90% das empresas em setores que demandam alta intensidade de mão de obra, como a construção civil e o agronegócio, já adotam a jornada de cinco dias com dois de descanso.

Entretanto, a proposta enfrenta resistência. Felipe Vella Pateo, representante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), informou que as pessoas que trabalham 44 horas semanais recebem em média R$ 2.600 mensais, contrastando com os R$ 6.000 recebidos por aqueles que têm jornadas de 40 horas. Isso evidencia a disparidade entre as classes de trabalhadores. Pateo também alertou que a transição para uma jornada reduzida poderia elevar os custos operacionais da hora trabalhada, com um aumento estimado de até 5% em setores com mais de 500 mil trabalhadores.

Da mesma forma, o economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, Fábio Pina, destacou que a medida pode acarretar gastos de até R$ 160 bilhões com folha de pagamento, com riscos de desemprego e inflação, o que poderia dividir a economia entre empresas capazes de suportar esse aumento e aquelas que não conseguem, potencializando a informalidade.

Contrapõe-se a esse cenário a defesa de jornadas menores em países como a Islândia, onde a produtividade aumentou significativamente. O professor de Economia da Unicamp, José Dari Krein, citou essas experiências internacionais como modelos positivos, enquanto o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) enfatizou que a reforma tributária poderia gerar um aumento de até 20% na produtividade brasileira.

A discussão também se estende ao aumento de doenças relacionadas ao trabalho. O deputado Dimas Gadelha (PT-RJ) disse que os gastos da Previdência com auxílio-doença cresceram alarmantemente nas últimas décadas, refletindo um aumento de custos que supera o crescimento do PIB do país. As desigualdades estruturais no mercado de trabalho e os altos índices de adoecimento entre trabalhadores se tornam cada vez mais urgentes no debate econômico nacional.

Com esse panorama, a proposta de redução da jornada de trabalho poderá se transformar em um divisor de águas nas políticas trabalhistas do Brasil, equilibrando não apenas a balança da equidade social, mas também potencialmente revolucionando o ambiente econômico do país.

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