A socióloga Bruna Camilo, que atua como assessora no Ministério da Saúde, destacou o aumento contínuo do feminicídio, com 399 casos registrados apenas entre janeiro e março deste ano. Camilo salientou a necessidade de responsabilizar os agressores e implementar programas educativos que possam desradicalizar comportamentos violentos em homens e meninos.
Complementando essa análise, a perita criminal Beatriz Figueiredo ressaltou que a educação das mulheres para saírem do ciclo de violência não é suficiente se os homens não forem igualmente educados sobre o respeito à autonomia feminina. Ela afirmou que o aumento do empoderamento das mulheres frequentemente desencadeia reações violentas por parte dos homens que não conseguem lidar com essa nova realidade. “A mulher que se mantém submissa geralmente não corre risco; é quando ela se rebela que se torna alvo”, alertou.
Os ataques à dignidade feminina, especialmente nas redes sociais, também foram tema central da discussão. Um estudo recente revelou que a misoginia online está crescendo exponencialmente, com 105 mil vídeos e 137 canais dedicados à disseminação desse tipo de conteúdo, que conta com cerca de 4 bilhões de visualizações.
Sandrali Bueno, vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, comentou sobre a “pedagogia do ódio” que se manifesta de diversas formas na sociedade, desde piadas até comportamentos controladores e abusivos.
Estela Bezerra, secretária nacional de enfrentamento à violência, trouxe à tona dados alarmantes: entre 1.568 casos de feminicídio registrados em 2025, 30% das vítimas havia solicitado ajuda ao poder público. Essa falha estrutural no sistema de proteção às mulheres foi enfaticamente destacada como uma questão que demanda atenção coletiva.
A deputada Ana Pimentel, uma das defensoras do projeto de lei em tramitação, enfatizou que uma definição clara de misoginia é essencial. Para ela, enquanto a desigualdade de gênero é uma questão social, a misoginia se trata de um ódio que desumaniza e objetifica as mulheres. O grupo de trabalho responsável pela análise do projeto já anunciou que a próxima audiência abordará aspectos jurídicos da criminalização da misoginia, sinalizando um passo importante na luta contra a violência de gênero no Brasil.





