CAMARA DOS DEPUTADOS – “Potencial do Esporte no Brasil: Cada R$ 1 Investido Gera R$ 23 em Retorno Econômico, Revela Audiência na Câmara”

O Esporte como Motor Econômico: Uma Análise Profunda Sobre Potenciais e Desafios no Brasil

No dia 7 de julho de 2026, a Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados promoveu uma audiência pública que iluminou o impacto econômico significativo do esporte no Brasil. De acordo com especialistas, o setor é responsável por cerca de 330 mil empregos formais, além de envolver mais de 1.200 empresas dedicadas exclusivamente a atividades esportivas no campo do turismo. O país conta ainda com mais de 400 mil professores de educação física nas escolas, evidenciando a importância do esporte na formação e no desenvolvimento social.

Os dados apresentados, oriundos de órgãos como o Ministério do Trabalho e a Receita Federal, revelam que o investimento no esporte pode gerar um retorno impressionante. A presidente do Instituto Sou do Esporte, Fabiana Bentes, destacou que a cada R$ 1 investido, o retorno pode chegar a R$ 23. No entanto, um abismo na valorização do setor ainda persiste, um fato notado pelo coordenador técnico do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE), João Moretti. Ele apontou que, em 2025, o governo federal alocou apenas 0,04% de seu orçamento para o esporte, enquanto os governos estaduais e municipais contribuíram com 0,02% e 0,01%, respectivamente.

Em suas observações, Moretti comparou a nudez de investimentos no esporte à cultura, sugerindo que a percepção de retorno financeiro da cultura é mais reconhecida. Ele propôs a importância de mudar essa narrativa e valorizar o esporte como um setor com potencial robusto para impulsionar a economia. A falta de um plano claro, como enfatizado por Bentes, no Plano Nacional do Desporto (PND), também foi um ponto de crítica. Segundo ela, o PND delineia metas sem apresentar caminhos concretos ou fontes de financiamento para alcançá-las.

Fabiana ressaltou que o esporte impacta mais de 20 setores da economia, abrangendo áreas como saúde, indústria, comércio e turismo. Para ela, o gap entre os investimentos em cultura e esporte é um tema que deve ser urgentemente abordado, citando que, em 2022, a cultura captou cerca de R$ 3,1 bilhões, enquanto o esporte angariou apenas R$ 1,4 bilhão. Essa discrepância, segundo a presidente do Instituto, representa uma oportunidade perdida que poderia elevar substancialmente os investimentos no setor esportivo.

Em resposta a essas disparidades, a Lei de Incentivo ao Esporte, que permite que empresas e pessoas físicas direcionem parte do imposto devido a projetos esportivos, é vista como uma luz no fim do túnel. Desde sua implementação, o número de projetos apoiados cresceu exponencialmente — de 20 em 2007 para mais de 6,6 mil em 2024. O consultor Ricardo Paolucci informou que os investimentos têm aumentado a uma taxa notável, de 15% ao ano até 2020 e saltando para 28% entre 2021 e 2025, após uma significativa desburocratização dos processos.

Presidida pelo deputado Luiz Lima, a audiência reafirmou o papel transformador do esporte na economia brasileira. Para Lima, o setor representa uma verdadeira máquina de geração de renda e emprego, superando algumas expectativas até em relação à indústria cultural. A discussão traz à luz a necessidade urgente de reavaliar a forma como o país enxerga e investe no esporte, pois seu potencial para o desenvolvimento econômico é gigantesco e merece ser explorado em toda sua plenitude.

Sair da versão mobile