“A reivindicação é legítima. Eu entendo que o direito à propriedade, o direito de ter o sonho de terra é legítimo e é legítimo também o direito à manifestação. Mas também quem exacerbar, responde. Se ele invadir, responde por isso. Agora, invasão de terra privada e invasão de prédio público eu já declarei isso diversas vezes, eu sou contrário, mais do que o contrário, a lei proíbe, pronto”, respondeu o ministro.
Ricardo Salles apontou contradições nas posições de parlamentares do PT e do Psol, que defendem a invasão de terras devolutas, argumentando que os proprietários são considerados invasores por estarem ocupando essas áreas. Salles citou o caso de Maria Nanci, que adquiriu uma fazenda em Rosana, no Pontal do Paranapanema, que foi invadida pela Frente Nacional de Luta, uma ramificação do MST na região.
A CPI foi criada para investigar a atuação do MST e o requerimento de convocação de Carlos Fávaro foi transformado em convite para o ministro esclarecer as ações tomadas após invasões recentes.
Durante o depoimento, o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) destacou que desde o início do governo Lula, o MST anunciou a retomada das invasões de propriedades. João Pedro Stedile, um dos líderes do movimento, divulgou nos canais oficiais que seriam realizadas invasões em todo o Brasil ao longo do mês de abril. A CPI ouviu Stédile, que afirmou que o movimento toma medidas para coibir irregularidades.
O deputado Valmir Assunção (PT-BA) parabenizou o ministro da Agricultura pelas explicações, mas questionou a imparcialidade da CPI, afirmando que o relatório já estaria pronto antes mesmo do término das investigações.
Os trabalhos da CPI do MST têm previsão de término para o dia 14 de setembro.
Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Ana Chalub
