CAMARA DOS DEPUTADOS – Interferência Política Abala Credibilidade da Lista de Empresas Envolvidas com Trabalho Escravo, Denunciam Especialistas em Audiência da Comissão de Direitos Humanos

Denúncias de Interferência Política em Cadastro de Trabalho Escravo Marcam Audiência na Câmara dos Deputados

Na última terça-feira, 12 de maio, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados promoveu uma audiência em que especialistas denunciavam a interferência política nas decisões relacionadas à “lista suja” do Brasil, um cadastro que registra empresas ligadas a práticas de trabalho escravo. Essa audiência é um reflexo da crescente preocupação em torno da temática, considerando que mais de 65 mil pessoas foram resgatadas de condições que podem ser consideradas análogas à escravidão no país nas últimas duas décadas.

O juiz do trabalho Leonardo de Moura Landulfo, que também ocupa o cargo de diretor de Assuntos Legislativos da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, ressaltou que, em 2025, 2.700 trabalhadores foram liberados de condições de exploração. Contudo, a credibilidade do cadastro tem sido questionada. Eduardo Reiner, representante da Associação Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, afirmou que a lista suja tem perdido sua eficácia, pois empresas com grande porte estão conseguindo reverter sua inclusão por meio de pressões políticas, ao invés de seguir critérios técnicos.

A ativista Natália Suzuki, da ONG Repórter Brasil, criticou as supostas intervenções do Ministério do Trabalho e destacou que a recente retirada de três empresas da lista suja foi um ato marcado por avaliações políticas, algo inédito até então. Atualmente, a lista conta com 612 nomes de pessoas e entidades, refletindo uma realidade complexa e problemática.

Além das denúncias sobre a credibilidade do cadastro, dados apresentados por Repórter Brasil revelam um aumento alarmante nos resgates: de 5.444 pessoas entre 2016 e 2020, o número saltou para 12.665 de 2021 a 2025. Day Carvalho Coelho, coordenador-geral do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, enfatizou a necessidade de integração das ações em diferentes esferas do governo para evitar que os resgatados retornem a situações de exploração.

As discussões também abordaram propostas legislativas em tramitação, como o Projeto de Lei 572/22, que responsabiliza empresas vinculadas a trabalho escravo, e o Projeto de Lei 5760/23, que visa oferecer suporte especial às mulheres resgatadas de exploração doméstica.

Durante as audiências em andamento, o deputado Reimont anunciou a intenção de enviar ao governo federal as conclusões dos debates e reivindicar a nomeação de novos auditores fiscais, além do fim das interferências políticas sobre a lista de infratores.

Com o compromisso de continuar debatendo esses temas, a Comissão de Direitos Humanos segue à frente de questionamentos cruciais sobre direitos trabalhistas e as reais condições enfrentadas por aqueles que se encontram à margem da dignidade humana.

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