CAMARA DOS DEPUTADOS – Governo propõe aumento do limite de faturamento para microempreendedores, visando beneficiar 17 milhões de MEIs e fortalecer empreendedorismo no Brasil.

Proposta de Elevação do Limite de Faturamento para Microempreendedores Ganha Protagonismo em Audiência Pública

Em um movimento significativo para fortalecer o setor de microempreendedores no Brasil, o Ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira, apresentou na quarta-feira (1º de julho) a proposta de aumentar de R$ 81 mil para R$ 140 mil o limite de faturamento anual para os Microempreendedores Individuais (MEIs) até 2028. A declaração foi feita durante uma audiência pública na comissão especial da Câmara dos Deputados, onde a proposta, identificada como PLP 108/21, já conta com a aprovação do Senado e tramita em conjunto com a PLP 186/26.

Essa iniciativa, que promete beneficiar cerca de 17 milhões de MEIs, é vista como uma resposta à necessidade de reavaliação de um teto que não era atualizado há quase uma década. Pereira classificou o momento como “histórico,” destacando a importância da medida para corrigir a realidade enfrentada por esses empreendedores, que há anos não tinha a possibilidade sequer de realizar uma segunda contratação.

Ao detalhar a proposta, Pereira enfatizou que ela faz parte de um pacote mais amplo de ações voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo no país. Isso inclui iniciativas como a estabilização econômica e programas de financiamento, como o Pronampe e o Procred 360, além de esforços direcionados à renegociação de dívidas por meio do programa Desenrola Brasil. O ministro anunciou a implementação de um novo programa que permitirá o parcelamento de débitos para cerca de 3 milhões de microempreendedores inadimplentes.

Por sua vez, o relator da comissão, deputado Jorge Goetten, ressaltou que a proposta em debate também deve abordar a inadimplência entre os MEIs. Ele argumentou que, embora programas de recuperação fiscal sejam úteis, é essencial trabalhar nas causas da inadimplência, em vez de apenas tratar suas consequências.

Durante a audiência, representantes do setor empresarial manifestaram a necessidade de atualização dos limites de faturamento para micro e pequenas empresas no Simples Nacional. Eles destacaram que, desde a última revisão dos limites em 2016, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação, teve um aumento de 60,7%. Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, alertou que a ausência de inclusão do Simples Nacional no projeto provocaria protestos da sociedade civil.

A presidente da comissão, deputada Any Ortiz, afirmou a importância da atualização dos limites do Simples, que representa uma parcela significativa da geração de empregos formais no Brasil. Paulo Henrique Pereira manifestou sua concordância de que a atualização do Simples Nacional deve ser encarada não como uma renúncia fiscal, mas como uma atualização necessária. O debate se intensifica, e as perspectivas de um acordo entre governo e Legislativo para resolver essas questões são fundamentais para o futuro do empreendedorismo no país.

Sair da versão mobile