Ataíde destacou que a abordagem adotada pelo governo combina usinas termelétricas com fontes de energia renováveis, visando garantir a estabilidade do sistema elétrico em face do crescimento da demanda. Ele ressaltou a importância de diversificar as fontes energéticas, enfatizando que a eletrificação da economia e o desenvolvimento econômico requerem uma estratégia abrangente, fugindo de uma rivalidade improdutiva entre os diferentes tipos de energia.
Em uma resposta às preocupações levantadas por parlamentares sobre a necessidade de tecnologias mais limpas, o ministro anunciou planos para a realização de um leilão de baterias ainda em 2026, sinalizando que a adoção de soluções de armazenamento é essencial para melhor integrar as fontes renováveis à rede elétrica e proporcionar mais estabilidade ao sistema.
Um dos pontos centrais do debate foi a decisão de contratar 19 gigawatts (GW) de potência através de termelétricas no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap 2026). Ataíde defendeu que esse modelo é crucial para apoiar a expansão da energia limpa. Ele explicou que a contratação de termelétricas, que não precisam gerar energia o tempo todo, é uma estratégia que permite seguir avançando em direções mais sustentáveis.
O diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre Zucarato, também se manifestou, alertando que sem essa contratação, os riscos de cortes de energia aumentariam significativamente até 2030. Ele reconheceu a magnitude do recente leilão, mas insistiu que a contratação era uma necessidade premente para a potência do sistema nacional.
Por outro lado, os deputados expressaram críticas ao modelo atual de reserva, que remunera as termelétricas para estarem em prontidão. Os parlamentares argumentaram que essa prática encarece as tarifas de energia e prejudica a competitividade do setor, especialmente para indústrias e consumidores. O deputado Evair Vieira de Melo criticou de forma contundente o aumento da conta de luz, sugerindo que essa situação alimenta a inflação e favorece interesses obscuros no setor.
O impacto econômico também foi uma preocupação central, com o deputado Danilo Forte alertando que o leilão poderia resultar em um rombo significativo nos custos da energia, onerando tanto a indústria quanto o consumidor doméstico. Além disso, houve questionamentos sobre o aumento quase dobrado nos preços-teto do leilão, que foi realizado às vésperas da disputa, levantando dúvidas sobre a transparência e a racionalidade das premissas utilizadas para definir os valores.
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Prado, por sua vez, defendeu a nova estratégia de custos, explicando que agora a responsabilidade financeira pela reserva de energia será distribuída entre todos os usuários do sistema, não apenas entre os consumidores cativos, o que busca equilibrar a carga tarifária.
Em suma, a reunião na Câmara dos Deputados abordou pontos cruciais para o futuro do setor energético no Brasil, destacando tanto as necessidades emergenciais quanto as críticas ao modelo vigente, revelando um cenário complexo e multifacetado nas discussões sobre a segurança energética do país.





