O prefeito de Caraá, Bolivar Gomes, destacou que o município ainda aguarda a autorização para a construção de nove pontes, além de enfrentamento no processo de reconstrução de habitações. Segundo ele, embora tenham sido solicitadas 50 casas, somente 40 foram liberadas, e essa insegurança na definição de beneficiários prejudicou o início das obras. “Perdemos muito tempo identificando quem tem direito a essas casas, o que atrasou consideravelmente o progresso das obras. Na atualidade, já poderíamos estar trabalhando em diversas delas”, afirmou Gomes.
Rodrigo Massulo, prefeito de Santo Antônio da Patrulha, também expressou sua frustração com a morosidade das liberações, mencionando que recebeu apenas um terço do que havia solicitado. As obras, segundo ele, foram concluídas dois anos após o pedido inicial. Como resposta a essa situação, Massulo mencionou a implementação de práticas permanentes para mitigar os efeitos de futuras enchentes, como o hidrojateamento contínuo de bueiros.
O deputado Pompeo de Mattos, relator da comissão, reconheceu os atrasos, mas atribuiu parte do problema à falta de projetos adequados para acessar o fundo formado por parcelas da dívida do estado com a União, que já acumula mais de R$ 15 bilhões. Ele enfatizou que várias iniciativas, incluindo a construção de casas e diques, já foram concretizadas e defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/19. Essa proposta visa estabelecer um fundo permanente para a Região Sul e já está pronta para votação.
A Secretaria da Reconstrução Gaúcha, representada por Cecilia Hoff, também alertou para os desafios enfrentados. Ela revelou que as enchentes de 2024 afetaram quase todo o estado e que, além do fundo relacionado à dívida estadual, existe um segundo fundo de quase R$ 9 bilhões, destinado a grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo Hoff, muitos projetos precisaram ser reavaliados após a severidade das enchentes, mas também foi mencionado o investimento em quatro helicópteros equipados com visão noturna, destinados a operações de resgate.
O deputado Marcel van Hattem, presidente da comissão externa, informou que o grupo já realizou 20 audiências públicas e nove seminários desde o início dos trabalhos, reafirmando a necessidade de uma ação rápida e eficaz para enfrentar as consequências das enchentes. A continuidade do debate e a implementação de medidas concretas se mostram cada vez mais essenciais para a recuperação das áreas afetadas e para a proteção da população gaúcha.





