Jacarandá alertou que a vagueza em termos como “conteúdos notoriamente inverídicos” pode levar plataformas digitais a tomar decisões extremas, incluindo a remoção de postagens legítimas. Isso acontece principalmente por medo de possíveis sanções judiciais. De acordo com ela, a pressão para a retirada imediata de conteúdos problemáticos pode acentuar erros nos algoritmos e conduzir a uma censura inadvertida, complicando ainda mais o equilíbrio entre a liberdade de expressão e a necessidade de um ambiente democrático saudável.
Durante sua apresentação, a representante de gigantes da tecnologia como Meta, TikTok e Amazon ressaltou os riscos que a nova resolução impõe às plataformas. A norma exige que candidatos identifiquem claramente a utilização de conteúdos fabricados ou manipulados por inteligência artificial. Além disso, a criação e disseminação desses materiais ficam proibidas no período que antecede a votação. O não cumprimento dessas regras pode resultar em sanções severas, incluindo multas e investigações por abuso de poder político.
O superintendente de Regulação da Agência Nacional de Proteção de Dados, Lucas Carvalho, reiterou que a utilização de IA durante as eleições não é desencorajada, desde que dentro de um arcabouço regulatório que priorize a transparência e a segurança do voto. Para ele, as novas normativas apenas alinham os padrões digitais às regras já existentes para campanhas eleitorais tradicionais, onde manipulações e mentiras são expressamente proibidas.
Indivíduos como Raphael Monteiro, representante da Advocacia-Geral da União, também defenderam a necessidade das resoluções do TSE. Monteiro alertou que os avanços tecnológicos apresentam riscos significativos à democracia, especialmente com o aumento da propagação de informações falsas e a potencial desinformação proporcionada por tecnologias como os deepfakes.
A presidente da Comissão, deputada Maria Rosas, levantou questionamentos sobre a capacidade das redes sociais em monitorar e remover conteúdos irregulares em tempo real. Em resposta, Jacarandá enfatizou que a quantidade massiva de postagens torna essa tarefa praticamente impossível, aumentando o risco de uma resposta desproporcional às regras eleitorais.
O debate evidenciou a necessidade de um equilíbrio delicado entre a proteção da democracia e a prevenção da censura, destacando a complexidade da gestão de conteúdos em plataformas digitais em um ambiente de constantes inovações tecnológicas. A reflexão sobre essa questão se torna fundamental, à medida que o país se aproxima de um cenário eleitoral marcado por incertezas e desafios tecnológicos.





