CAMARA DOS DEPUTADOS – Deputados do Amazonas Cobram Transparência da Âmbar Energia em Debate sobre Qualidade da Energia Elétrica e Impactos nos Direitos dos Consumidores

Crise Energética no Amazonas: Concessionária Âmbar Energia Ignorada em Audiência na Câmara

No dia 30 de junho de 2026, uma audiência conjunta das comissões de Defesa do Consumidor e de Minas e Energia da Câmara dos Deputados abordou a crítica situação da qualidade da energia elétrica no estado do Amazonas. A ausência de representantes da Âmbar Energia, nova concessionária responsável pela distribuição de energia na região, foi notada como um ponto negativo no debate. Ao invés de comparecer, a empresa enviou apenas um ofício como resposta aos questionamentos levantados.

O deputado Fausto Júnior (União-AM), que foi o proponente da audiência, manifestou sua insatisfação com a falta de diálogo da concessionária e anunciou planos de convocar um porta-voz da Âmbar após o recesso parlamentar. Fausto ressaltou que a comissão exige uma postura transparente por parte da empresa sobre os serviços prestados à população local. “Vamos cobrar um plano de ação claro e mensurável”, afirmou o deputado.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já havia aprovado em março a transferência do controle da Amazonas Energia para a Âmbar, com a expectativa de que a nova gestão melhorasse os índices de qualidade no fornecimento de energia. De acordo com a Aneel, os consumidores amazonenses enfrentam, em média, 41 horas de falta de luz por ano, um problema que afeta diretamente a qualidade de vida da população.

O superintendente de Fiscalização da Aneel, Giácomo Almeida, garantiu que a agência irá exigir que a concessionária apresente até meados de julho um plano de ação para melhorar os serviços. A Aneel se comprometeu a monitorar mensalmente a compra de equipamentos e a contratação de equipes de manutenção.

Além dos problemas operacionais, os cortes frequentes de energia têm gerado consequências graves para os direitos fundamentais dos cidadãos. Rafael Barbosa, defensor público do Amazonas, salientou que interrupções em serviços essenciais, como hospitais e escolas, comprometem a vida cotidiana da população. Ele destacou a necessidade urgente de um cronograma claro de metas para que os cidadãos possam ter previsibilidade sobre a qualidade do serviço.

Outro aspecto relevante da audiência foi a crítica do deputado estadual Mário César Filho, que lamentou a recusa da nova gestão em participar de mutirões de conciliação para a negociação de dívidas. Ele enfatizou que muitos amazonenses se veem forçados a escolher entre pagar a conta de luz ou garantir a sua subsistência.

O coordenador do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Lourenço Moretto, chamou a atenção para a situação dos sistemas isolados que ainda dependem de usinas movidas a diesel. Moretto pediu um investimento em fontes de energia renovável, lembrando que muitas comunidades rurais continuam sem acesso à energia elétrica, uma meta prevista no programa federal Luz para Todos.

Com a participação de representantes do Ministério Público estadual, do Procon, do comércio e de trabalhadores urbanitários, a reunião ressaltou a necessidade de uma vigilância constante sobre a qualidade do serviço que a Âmbar Energia promete prestar, em meio a desafios que ameaçam o bem-estar da população amazonense.

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