CAMARA DOS DEPUTADOS – Deputado propõe redução da CSLL para resseguradoras e combate a desequilíbrio competitivo com empresas estrangeiras no Brasil.

Em um movimento decisivo para reestruturar o mercado de resseguros no Brasil, o Projeto de Lei 3540/26, proposto pelo deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), busca reduzir a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das resseguradoras locais de 15% para 9%. Além disso, a proposta pretende eliminar, em certas circunstâncias, o limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais no setor de resseguros e retrocessão. O projeto atualmente está sob análise na Câmara dos Deputados.

Bulhões Jr. justifica a necessidade da proposta ao afirmar que a disparidade tributária está gerando um “desequilíbrio competitivo” entre as empresas brasileiras e as estrangeiras. Ele aponta que, enquanto as resseguradoras locais são obrigadas a pagar a CSLL e o Imposto de Renda (IRPJ) integralmente no Brasil, as empresas internacionais atuam no território brasileiro sem arcar com essas tributações. Tal desigualdade se reflete nos números: em 2019, tanto as resseguradoras nacionais quanto as internacionais detinham cerca de 50% do mercado. No entanto, até 2024, as resseguradoras estrangeiras ampliaram sua participação para 72%, enquanto as nacionais despencaram para 28%. Isso representa uma saída de R$ 22,9 bilhões em prêmios para o exterior, comparado a apenas R$ 8,9 bilhões retidos no Brasil.

O projeto não apenas visa equilibrar a competição, mas também busca facilitar a compensação de prejuízos fiscais. Normalmente, empresas que são tributadas pelo lucro real podem compensar seus prejuízos com lucros futuros até um limite de 30% do lucro líquido ajustado. No entanto, no contexto das atividades de resseguro e retrocessão, a proposta permite que esse limite seja suspendido, desde que o resultado negativo acumulado não tenha sido absorvido dentro de um período de três anos.

Após a aprovação da urgência em maio, o projeto poderá ser votado diretamente no Plenário da Câmara, uma vez que ainda não foi atribuído a nenhuma comissão temática. Para ser transformado em lei, a proposta precisa passar por votações favoráveis tanto na Câmara quanto no Senado. A expectativa é que, caso aprovada, essa mudança traga um novo fôlego para as resseguradoras brasileiras, fortalecendo a indústria local e garantindo uma maior estabilidade ao sistema de seguros.

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