CAMARA DOS DEPUTADOS – Crescimento do Racismo nas Escolas Motivou Proposta de Protocolo de Atendimento a Vítimas de Discriminação Racial, Afirma Deputada Carol Dartora

Em um momento crucial para o combate à discriminação racial nas escolas brasileiras, a deputada Carol Dartora, do Partido dos Trabalhadores do Paraná, apresentou o Projeto de Lei 4887/23. Essa proposta visa criar um protocolo de atendimento para vítimas de discriminação racial em instituições de ensino, abrangendo tanto o setor público quanto o privado em todo o país. O projeto atualmente está em análise na Câmara dos Deputados e suscita debates acalorados sobre a necessidade de medidas efetivas contra a violência racial nas escolas.

De acordo com a proposta, quando um incidente de discriminação racial ocorrer, a escola deve adotar diversas ações, incluindo acionar a polícia imediatamente e encaminhar o caso ao Ministério Público. Além disso, deverá prestar apoio psicológico às vítimas, seus familiares e aos envolvidos, além de elaborar um relatório anual para as autoridades de educação pertinentes e para o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial. As instituições de ensino também terão a responsabilidade de identificar fatores individuais, escolares e comunitários que possam ter contribuído para a violência, enquanto promovem programas de conscientização sobre a pluralidade cultural do Brasil.

Outro aspecto relevante da proposta é a capacitação dos profissionais da educação por meio de cursos de letramento racial. As escolas também deverão incluir na matrícula critérios que permitam a autodeclaração das cor e raça dos alunos. O protocolo de atendimento será visível em todas as instituições, contendo uma lista de órgãos que podem ser acionados em casos de discriminação.

Dartora justifica a urgência do projeto ao relatar o crescimento da violência racial nas escolas e o aumento de grupos neonazistas no Brasil. Dados indicam que existem pelo menos 530 células desse tipo no país, com uma ativa participação de cerca de 10 mil indivíduos. Para a deputada, esses números evidenciam a “necessidade e urgência” de um protocolo de intervenção.

Além disso, o projeto prevê que servidores públicos que cometem discriminação racial enfrentarão processos administrativos e outras responsabilizações, assim como educadores que, cientes de uma situação discriminatória, não atuarem em defesa da vítima. Também será exigido que secretarias de educação institucionais elaborem relatórios semestrais sobre o cumprimento das leis que promovem o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena.

Por fim, o projeto visa alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente para incluir medidas socioeducativas para quem praticar discriminação racial em escolas. A proposta, que inclui discriminação racial como forma de violência psicológica, ainda terá que ser aprovada por diversas comissões antes de seguir para o Plenário. Uma vez aprovada, seguirá para o Senado para a sanção final.

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