Esses números foram discutidos em uma audiência pública promovida pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, onde diversas autoridades e especialistas em saúde mental apresentaram seus pontos de vista. O deputado Vander Loubet (PT-MS) foi um dos responsáveis por convocar a audiência e também é um dos apoiadores do Projeto de Lei 1808/26, que visa proibir as apostas online no país.
Marcelo Dias, representante do Ministério da Saúde, mencionou a criação de uma nova plataforma de atendimento online por meio do Meu SUS Digital, voltada para pessoas com problemas relacionados a jogos. Antes de iniciar o atendimento, os usuários realizam um autoteste para avaliar o seu nível de dependência. Dias destacou que, apesar da maior regulação das apostas nos últimos anos, durante a pandemia de Covid-19, o acesso aos jogos online foi descontrolado, criando uma “tempestade perfeita” para o surgimento de problemas de dependência. Ele explicou que, frequentemente, os jogadores começam vencendo, o que os estimula a continuar apostando. Porém, ao começar a perder, muitos se veem aprisionados na tentativa de recuperar o que perderam, intensificando a dívida e o comportamento compulsivo.
Outro tema abordado na audiência foi o desmantelamento de práticas abusivas no mercado de apostas. Leandro Lucchesi, representante do Ministério da Fazenda, informou que as ações de regulação resultaram na exclusão de muitas operadoras do mercado e na restrição da publicidade enganosa que promove as apostas como uma forma de complementar a renda. O governo agora se volta para a identificação de designs manipulativos dos jogos, que potencializam o vício. Um dos padrões identificados é o conceito de “quase ganho”, que incentiva o apostador a continuar apostando mesmo após perdas.
A situação é preocupante, tendo em vista que, em 2025, mais de 25 milhões de brasileiros, ou cerca de 18% da população adulta, participaram de apostas, principalmente homens com idades entre 18 e 50 anos. Essas apostas resultaram em um prejuízo conjunto estimado em R$ 38 bilhões no ano passado, sendo que muitos apostadores gastaram quantias significativas. A realidade atual exige uma atenção redobrada por parte do governo e da sociedade, uma vez que a saúde mental dos apostadores e suas famílias está em jogo.





