Audiência Pública Revela Impactos Inquietantes no Fundo de Pensão Postalis
Na última quarta-feira, 17 de junho, a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados promoveu uma audiência pública que revelou a complexa e preocupante situação financeira enfrentada pelos trabalhadores e aposentados dos Correios em relação ao fundo de pensão Postalis. Dados apresentados durante o encontro indicam que os empregados e aposentados estão arcando com um desconto significativo de 24% em seus salários, uma medida que se arrasta há 16 anos, em decorrência de perdas provocadas por investimentos mal sucedidos administrados pelo banco BNY Mellon.
O presidente da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), Roberval Borges Correia, destacou que essa situação tem forçado mais de 10 mil pessoas a abandonarem o plano de previdência. Ele relatou que muitos aposentados, com rendimentos entre R$ 1.200 e R$ 2.000, enfrentam dificuldades financeiras para suportar essa dedução em suas aposentadorias. Correia enfatizou a frustração de trabalhadores que dedicaram suas vidas a contribuir para um futuro mais seguro, apenas para ver quase um quarto do que acumularam ser reduzido sistematicamente.
As falhas na gestão do fundo de pensão já resultaram em condenações do BNY Mellon pelo Tribunal de Contas da União (TCU), porém, os recursos devidos ainda não foram recuperados, levantando questionamentos sobre a eficácia e a agilidade das ações governamentais e dos órgãos de controle. A lentidão das respostas por parte da administração pública tem sido uma fonte constante de descontentamento entre os afetados.
O diretor de Gestão Previdencial do Postalis, Leandro Augusto Ferreira Medeiros, citou um prejuízo estimado em R$ 15 bilhões, compartilhado entre a empresa e os participantes do fundo, com os Correios assumindo R$ 7,6 bilhões. Além disso, Medeiros confirmou que as ações judiciais continuam em andamento na tentativa de reaver os valores do banco. Entre elas, uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal, que soma R$ 8 bilhões, ainda aguarda decisão.
O deputado Luiz Carlos Motta, que solicitou a realização da audiência, criticou a falta de punição aos responsáveis por essas perdas, afirmando que o peso recai sobre os aposentados e trabalhadores. O auditor-chefe do TCU, Agostinho Garrido de Carvalho, acrescentou que as condenações ao banco já somam R$ 833 milhões, mas os pagamentos se encontram paralisados devido a disputas judiciais.
Durante a audiência, foi abordada também a evolução na fiscalização do setor, com o coordenador de fiscalização da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), Mauricio Nakata, comentando sobre a eficácia do monitoramento de riscos que impediu investimentos arriscados em instituições financeiras problemáticas. Essa melhoria na governança e na fiscalização pode ser um sinal positivo em um cenário ainda marcado por incertezas e desafios para os beneficiários do Postalis.





